Estudo aponta necessidade de mais de R$ 500 milhões para melhorar rodovias no Oeste

Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina fez análise sobre as estradas da região

Por Oeste Mais

27/03/2017 09:14 - Atualizado em 31/01/2018 23:11



A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) lançou na última semana o Grupo Técnico Rodovias Oeste SC do Futuro, com estratégias e propostas para a melhoria da segurança e eficiência da malha rodoviária da região.

 

O vice-presidente da Fiesc e presidente da Câmara de Transporte e Logística, Mário Cezar de Aguiar, apresentou em Chapecó as propostas que foram divididas em três matrizes: investimentos, planejamento e política e gestão.

 

O valor estimado para a sinalização das rodovias federais no Oeste é de R$ 30 milhões. Para a adequação de trevo e trecho rodoviário (terceira faixa) da BR-282, de Ponte Serrada a Chapecó, o valor estimado é de R$ 77 milhões; de Chapecó a São Miguel do Oeste, de R$ 158 milhões; para travessias urbanas, R$ 140 milhões; projeto e construção do contorno de São Miguel do Oeste, R$ 80 milhões; e nova ponte do Rio Peperiguaçu, R$ 40 milhões. O investimento total chega a R$ 525 milhões.

 

Também foram feitos cálculos de estimativas para melhorias nas BRs 163 e 158. Para as rodovias estaduais, o Grupo Técnico deve articular um levantamento dos recursos necessários para a restauração e manutenção dos trechos.

 

Planejamento

 

A intenção é realizar um planejamento sistêmico e integrado da malha de transporte da região, considerando a intermodalidade e a infraestrutura atual e futura da região para o curto, médio e longo prazo.

Estudo foi apresentado nesta semana pela Fiesc em Chapecó (Foto: MB Comunicação)

Algumas das propostas são definir a conexão intermodal com a malha nacional de transporte e pontos de fronteira, considerando os aspectos de suprimento e distribuição e a geografia socioeconômica, realizar estudo para solução logística no suprimento e distribuição da agroindústria da região e avaliar a implantação de um recinto alfandegado na zona primária do ponto de fronteira de Dionísio Cerqueira ou outro ponto na zona secundária.

 

Também foi apresentada a proposta de corredores rodoviários para o Oeste catarinense. O corredor principal inclui as BRs 163, 282 e 470, de Dionísio Cerqueira com alternativa para acesso aos portos de São Francisco e Itapoá. Aguiar argumenta que as BRs 282 e 470 juntas apresentam grande movimentação de veículos e movimentam cerca de 80% do volume de carnes destinadas aos portos. Quanto às concessões, a Fiesc defende uma avaliação criteriosa, pois o valor do pedágio precisa ser justo e deve haver retorno do investimento dos usuários das rodovias.

 

Além do corredor principal, foram apresentadas três possibilidades de corredores secundários, abrangendo as principais rodovias da região. Um deles inclui as SCs 283, 305 e 480. Outro integra a BR-158 e as SCs 155, 157 e 160. Um terceiro abrange as SCs 135, 150, 350, 355 e 390.

 

Outras propostas são fortalecer o Dnit e o Deinfra, criando um projeto de humanização das rodovias catarinenses, com campanhas e educação no trânsito. Aguiar explicou que a intenção é compor o Grupo Técnico com representantes de entidades e parlamentares e realizar reuniões trimestrais para acompanhar resultados e definir ações e estratégias.

 

Pesquisa

 

Um estudo da Fiesc analisou o estado de conservação e manutenção de 2.478 quilômetros de rodovias estaduais. O resultado foi apresentado pelo engenheiro Ricardo Saporiti, que realizou o trabalho com apoio do Crea-SC. De acordo com ele, as intervenções que estão sendo feitas são insuficientes para melhorar a situação e a segurança das estradas.

 

“O montante total dos recursos alocados em 2016 para as regiões analisadas, de R$ 4.603,42 por quilômetro, permite somente intervenções paliativas de forma precária e insuficiente, não atendendo às necessidades prementes de preservação. A conservação da malha rodoviária estadual exige investimentos mais robustos e que garantam uma solução definitiva para os problemas existentes, bem como um planejamento adequado da manutenção corretiva, preventiva e rotineira”, disse Ricardo.

 

Estudos do Instituto de Pesquisas Rodoviárias e do Dnit informam que o mau estado de conservação da rede viária resulta no acréscimo do consumo de combustíveis em até 58%, no aumento no custo operacional dos veículos em até 40%, na elevação do índice de acidente em até 50% e no acréscimo no tempo de viagem até 100%. “Estudos apontam que para cada US$ 1 (dólar) não investido em conservação e manutenção de uma rodovia, serão necessários US$ 2,50 para restauração”, acrescentou Ricardo Saporiti.


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