Deepfake: a diversão que pode se tornar ameaça na internet

Aplicativo permite que usuários criem e compartilhem vídeos com faces substituídas

Por Oeste Mais

17/09/2021 10h05 - Atualizado em 17/09/2021 10h13



O deepfake é uma técnica assustadora que permite trocar o rosto de alguém em vídeos de forma tão natural que parece se tratar de outra pessoa. Embora no início o resultado fosse algo bem esquisito, a técnica evoluiu e hoje é algo tão sofisticado que apenas especialistas conseguem detectar. Para piorar, as transmissões ao vivo ganharam um software de deepfake capaz de mudar o rosto das pessoas em tempo real — até então, o mais comum era ver esse tipo de técnica em vídeos gravados.

 

DeepFaceLive é um programa de inteligência artificial e código aberto que pode trocar o seu rosto pelo de outra pessoa em plataformas de videoconferência e streaming. De acordo com o jornal The Daily Dot, o aplicativo foi criado por um desenvolvedor conhecido como Iperov e já está em uso no YouTube e na Twitch. Na página do Github, o desenvolvedor exibe alguns vídeos produzidos com o rosto da atriz Margot Robbie e o resultado é impressionante.

 

A técnica de substituição de rostos preocupa autoridades de todo o planeta porque permite a criação de clones para fins de publicidade, comédia ou até para o cometimento de crimes virtuais. Se bem feita, pode transformar homens de 50 anos em mulheres atraentes com metade da idade ou colocar o rosto de um rival político em uma situação embaraçosa, apenas para ficar em dois exemplos "básicos".

 

É claro que a manipulação de vídeos com propósitos nefastos pode levar o criador do conteúdo para a cadeia ou, na menor das consequências, até um processo por uso indevido da imagem.

Usos nada agradáveis

 

Embora o objetivo primordial de apps assim sejam proporcionar situações divertidas ou absurdas, eles podem causar imensos transtornos nas mãos erradas. Em entrevista ao Daily Dot, o chefe de comunicações e análise de pesquisa de inteligência artificial da empresa Deeptrace, Henry Adjer, imagina alguns usos nada agradáveis.

 

Ele cita como exemplos o ato de um streamer se passar por uma celebridade ou o uso dos rostos simulados para falsificações em sistemas biométricos de reconhecimento facial.

 

“Muitos verão o DeepFaceLive como uma ferramenta divertida para transmissão ao vivo na Twitch ou vídeos absurdos do TikTok, mas minha pesquisa sobre deepfakes tem mostrado consistentemente que há muitos outros que tentarão usá-lo indevidamente”, alerta.

Com informações do Canal Tech e The Daily Dot


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