Gaze esquecida no nariz e linha na barriga: pacientes do SUS relatam cirurgias malsucedidas

Jovem de Faxinal dos Guedes e mulher de Vargeão tiveram surpresas bem desagradáveis após os procedimentos

Por Oeste Mais

07/11/2019 10:41 - Atualizado em 07/11/2019 10:57



Duas pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) relataram ao Oeste Mais que passaram por situações preocupantes quando foram submetidas a procedimentos cirúrgicos pela unidade, há alguns anos.

 

Ambas são mulheres. Uma é moradora de Vargeão e tem 47 anos. Já a outra é de Faxinal dos Guedes e tem 20 anos. As pacientes preferem não se identificar. Por esse motivo, usaremos nomes fictícios para contar as histórias.

 

O caso de ‘Maria’

 

A jovem Maria [nome fictício], moradora de Faxinal dos Guedes, passou por uma cirurgia de retirada do apêndice em meados de 2013, quando tinha 14 anos. A apendicectomia foi realizada no município de Xanxerê, pelo SUS.

 

Maria relata que a cirurgia ocorreu de maneira certa, porém, após quase um mês do procedimento, passou a sentir dores na região da barriga e não conseguia se movimentar direito, precisando fazer o máximo de repouso possível.

 

“Não conseguia nem levar a mochila, que na época eu estudava [...]. Eu não conseguia me esticar, sentar, porque parecia que rasgava”, conta.

 

Ela lembra que depois de 15 dias de pós-operatório, um pequeno buraco começou a se formar na região do corte feito pelo cirurgião. “Começou a sair um pedaço de linha e esse buraco abriu e eu fiquei com o corte aberto”, diz.

 

Maria passou por uma ultrassonografia para poder descobrir o que estava acontecendo. Para a surpresa dela, havia um corpo estranho dentro da barriga. “Eles me encaminharam para um cirurgião geral e ele me disse que teria que abrir para ver o que era”.

 

A paciente relembra que quando passou pelo segundo procedimento cirúrgico, aquele para fazer a retirada do corpo estranho da barriga, o segundo médico tentou “encobrir” o cirurgião anterior, escondendo dela que havia um pedaço de linha esquecido dentro da barriga da mulher durante a apendicectomia.

 

“Eles deixaram o pote do meu lado e dava para ver nitidamente que era um pedaço de linha”, relembra. “Eu fiquei chocada com isso, é um descaso. A gente ouve casos que esquecem até tesoura”, comenta Maria, que diz ser sortuda por ter sido apenas um pedaço de linha e não um caso mais grave.

 

O caso de ‘Madalena’

 

Madalena [nome fictício] mora em Vargeão desde quando nasceu. Ela é mãe de duas meninas e é casada há 22 anos.

 

Madalena tem uma história um pouco parecida com a de Maria, citada acima. A dona de casa, quando tinha 15 anos, estava indo para a escola em uma Kombi e sofreu um acidente de trânsito junto com os colegas, em 1985, no município onde mora. Na época, ela acabou sofrendo ferimentos graves no rosto, quebrando toda a região do nariz.

 

A mulher ficou na fila do SUS por dez anos, esperando para fazer a cirurgia de reconstrução do nariz. Em 1995, com 25 anos, finalmente foi chamada para passar pelo procedimento. A cirurgia foi feita em Florianópolis.

 

O procedimento “deu tudo certo”, segundo a paciente. Porém, depois que retornou para casa, seu nariz começou a escorrer muito e ela precisou carregar sempre um lenço para poder limpar a secreção que descia a todo o momento. “Tinha um cheiro muito ruim, a secreção descia pela garganta. Eu tinha nojo daquilo”, conta.

 

O nariz de Madalena ficou “vazando” durante três meses e ela já não aguentava mais. Em uma manhã, quando estava no banheiro limpando a sujeira que insistia em descer, ela sentiu algo estranho mexendo acima do nariz, pouco abaixo da testa.

 

“Quando eu assoei, aquele negócio desceu. Mostrei para a minha tia e vimos que era um tucho de gaze. Ele estava podre, bem sujo, dava em torno de cinco centímetros”, relata a paciente.

 

Madalena melhorou depois que a gaze foi expelida. Seu nariz, que antes escorria o tempo todo, melhorou dois dias depois. “Os médicos precisam ter mais cuidado e responsabilidade quando fazem isso, por ser uma coisa de riscos e trazer várias sequelas”, comenta a mulher, que não teve nenhuma complicação após o ocorrido.

 

Você tem ou conhece alguém que tenha histórias parecidas com estas que acabamos de contar? Envie-nos seu relato pelo jornalismo@oestemais.com.br.


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