Consumo diário de bebidas alcoólicas pode tirar até cinco anos de vida

Doenças associadas são acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca, pressão alta e aneurisma aórtico

Por Oeste Mais

16/04/2018 15:05 - Atualizado em 16/04/2018 15:05



Segundo uma nova pesquisa realizada pela Universidade de Cambridge, na Inglaterra, consumir bebida alcoólica diariamente pode encurtar a expectativa de vida. O estudo descobriu que beber mais de 100 gramas de álcool por semana – cerca de seis ou sete copos – aumenta o risco de morte por diversas causas.

 

Beba menos, viva mais

 

Os pesquisadores exploraram as ligações entre o consumo de álcool e o risco de diferentes tipos de doenças cardiovasculares.

 

As pessoas que bebiam mais apresentaram maior taxa de risco de sofrer acidente vascular cerebral (14%), insuficiência cardíaca (9%), doença hipertensiva (24%) e aneurisma aórtico – consequência de inchaço em artérias ou veias (15%).

 

Foram analisados os hábitos de consumo de quase 600 mil pessoas, sendo que 50% delas relataram beber mais de 100 gramas de álcool por semana. Para que o resultado fosse o mais preciso possível, também foram avaliados dados sobre idade, sexo, risco de diabetes, uso de cigarro e outros fatores relacionados a doenças cardiovasculares.

 

Os cientistas chegaram a conclusão de que beber de 100 a 200 gramas de álcool por semana encurta o tempo de vida de uma pessoa de 40 anos em seis meses.

 

Pessoas da mesma faixa etária que ingerem de 200 a 350 gramas por semana podem perder um ou dois anos de vida, e quem ultrapassa as 350 gramas semanais reduz em quatro ou cinco anos a expectativa de vida.

 

Apesar da informação alarmante, níveis mais elevados de álcool já foram associados a um menor risco de ataque cardíaco ou infarto do miocárdio.

Cientistas chegaram a conclusão de que beber de 100 a 200 gramas de álcool por semana encurta o tempo de vida de uma pessoa de 40 anos em seis meses (Foto: Shutterstock)

No entanto, esse benefício foi descartado pelo risco maior de outras formas da doença, como explica a líder da pesquisa. “O consumo de álcool está associado a um risco ligeiramente menor de ataques cardíacos não fatais, mas isso deve ser equilibrado com o maior risco associado a outras doenças cardiovasculares graves e potencialmente fatais”, disse em comunicado.

 

Os autores ainda sugerem que o risco variável de diferentes formas de doença cardiovascular pode estar relacionado ao impacto do álcool sobre a pressão sanguínea e outros fatores ligados aos níveis de HDL, mais conhecido como bom colesterol. 

 

Para Dan G. Blazer, co-autor do estudo, os resultados mostram que o consumo de álcool em níveis considerados “seguros” estão, na verdade, ligados a menor expectativa de vida e diversos prejuízos à saúde.

 

Outro ponto apontado por cientistas que investigam o assunto é a necessidade de definir diretrizes de consumo de bebidas alcoólicas, especialmente entre os baby boomers – pessoas entre 50 e 70 anos -, faixa etária em maior risco de abuso de álcool. 

 

“O risco à saúde associado ao consumo de álcool pode variar entre países dependendo de outras condições, como por exemplo, taxas de tabagismo, obesidade ou a prevalência de outras doenças. Por isso, é preciso definir diretrizes de consumo específicas para cada país”, comentou Pietra Meier, professora de saúde pública da Universidade de Sheffield, no Reino Unido.

Da Veja


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