Após morte de catarinense, pílulas para emagrecer, vendidas como naturais, deixam médicos e polícia em alerta

Vítima foi uma jovem de 27 anos, moradora de Lages, no dia 6 de abril deste ano

20/09/2019 10:30



A morte de uma catarinense após tomar remédio para emagrecer acendeu a preocupação de médicos e o alerta da polícia para a venda indiscriminada de produtos que são rotulados como naturais.

 

Muitas são substâncias compradas sem controle, sem bulas, vendidas em todo o país. A negociação costuma ser à distância, por telefone ou pela internet.

 

Foi um desses medicamentos que deve ter levado à morte súbita de uma mulher de 27 anos, moradora de Lages, na Serra, no dia 6 de abril deste ano. A causa inicial foi registrada como morte natural. Mas o legista do Instituto Geral de Perícias (IGP) de Santa Catarina desconfiou.

 

"Chamou-me a atenção como legista que aquelas características imediatas que ela teve no óbito, que ela ficava asfixiada, mostrando uma asfixia interna, mostrando um sofrimento agudo dos pulmões", explicou o médico-legista André Gargioni.

 

Remédios para emagrecer são vendidos livremente na internet (Foto: NSC TV)

A jovem estava querendo emagrecer e vinha tomando um emagrecedor, supostamente natural. "O meu instinto de legista dizia que era aquele remédio. E eu liguei pro instituto de análise forense dizendo 'vou mandar o remédio porque foi isso, foi essa coisa aqui que matou", complementou.

 

Entre as substâncias identificadas, estão as que mataram a mulher na cidade de Lages.

 

"Foi encontrado diazepam com sibutramina. Diazepam todo mundo usa, sibutramina é autorizado, sim. Mas com doses que devem ser fiscalizadas pelo médico. Você não sabe quanto, qual a quantidade, quantas vezes tomar. Como advertir, como ser advertido pelo médico, olha, estou sentindo isso, que são anúncios de uma doença que tem, ela não foi. Ela foi persistentemente mantendo-se no uso daquela medicação, perdendo peso, que era o projeto original dela, e negligenciado, entre aspas, aqueles sintomas que culminaram com a morte. Então muita morte pode ter passado batido", disse o perito do IGP.

 

A equipe da NSC TV entrou em comunidades virtuais, em grupos que discutem e comercializam essas cápsulas, acompanhou as conversas e chegou a fornecedores. Produtos como Natural Dieta, Yellow Black e Royal Slim foram adquiridos. Todas as embalagens foram entregues lacradas para a Polícia Civil, que encaminhou para análise do Instituto Geral de Perícias.

Médico

 

Para os médicos esses produtos com comércio livre na internet são uma grande preocupação. Num dos grupos, uma pessoa reclama. E no próprio grupo recebe orientações de outras pessoas.

 

"Nesse caso, é o uso errado desse caminho. Então a utilização de grupos por telefone que deveriam ser motivadores pra parar, muitas vezes eles vão dar sugestão de como burlar o efeito adverso pra pessoa continuar tomando", disse o médico.

 

"Teoricamente se alguém num grupo desse esteja vendo isso dai e souber, tem que dizer pare. Esse efeito adverso é algo que planta não dá".

 

O que chama atenção dos médicos é o acesso fácil aos produtos. "A facilidade na aquisição e da entrega também. São produtos que são entregues pelos correios, ninguém exige um atestado médico, uma recomendação médica, simplesmente o cliente liga e recebe na sua casa”.

Do NSC TV


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