Cinco anos após diagnóstico de câncer, mãe fala sobre superação

Jucenilse Strapazzon tem 47 anos e foi diagnosticada com câncer de mama em 2016

Por Kiane Berté

08/04/2021 13h52 - Atualizado em 08/04/2021 14h14



Jucenilse tinha 41 anos quando descobriu o câncer (Fotos: Arquivo pessoal)

Receber o diagnóstico de uma doença como o câncer sempre acaba sendo algo perturbador para as pessoas. Muitos conseguem manter a calma, conversar com pessoas próximas para poder desabafar, mas em outros casos, acaba causando estranhamento e dor já nas primeiras horas do recebimento da notícia.

 

Mesmo precisando aprender a lidar com a situação, sempre acaba sendo difícil ter que passar pelo tratamento e manter a calma até tudo ficar bem. 

 

A moradora de Vargeão, Jucenilse Strapazzon, de 47 anos, passou por uma situação parecida em 2016.

 

Sendo uma pessoa saudável e tranquila, como ela mesma diz, e sem ter sintomas que a preocupassem, aos 41 anos, através de uma mamografia de rotina, descobriu que alguma coisa não estava normal.

 

Juce, como é conhecida, é mãe de Paula, de 19 anos, e conta que teve uma gravidez tranquila, amamentando a filha por dois anos.  

 

“Quando fiz a primeira mamografia, fui chamada novamente pra repetir, pois havia uma mancha no seio esquerdo. Refeito o exame, a mancha realmente estava ali. Então começaram a maratona de exames, punção, e o resultado final: câncer de mama estagio IV”, relembra.

 

Apesar de todos os exames já feitos, necessitava de mais confirmações, mais exames e mais angustia. Para Jucenilse, a pior parte de todas até aquele momento, foi ter que contar sobre a doença à mãe dela e para a filha.

 

“A mãe começou a chorar e a Paula era pequena, ficou em silêncio e depois escreveu uma carta para mim. Mas falei de leve, falando uma coisa de cada vez, porque me preocupava principalmente com a mãe, porque tinha recém passado por uma depressão”, relembra.

 

Na época em que a doença foi descoberta, a vargeonense era vereadora no município e trabalhava na secretaria de Educação, e não entrou em licença dos afazeres. Ela continuou trabalhando para se manter firme, recebendo o total apoio dos colegas de trabalho e amigos.

 

“Estar no meio de pessoas me fazia bem”.

 

Outra questão que também a fez não deixar o trabalho, eram as despesas médicas que chegavam a todo momento, mesmo com a ajuda do município.

Vargeonense conta trajetória da luta contra o câncer (Fotos: Arquivo pessoal)

O tratamento

 

A funcionária pública passou por quatro sessões de quimioterapia, além de 18 hormonioterapia – que é um tipo de tratamento feito principalmente para quem tem câncer de mama e o câncer de próstata. “É um longo e penoso caminho”, descreve.

 

Jucenilse explica que teve um câncer hormonal, silencioso, e que, mesmo com o tratamento, precisou fazer a retirada das duas mamas, útero, ovário e trompas. 

 

“Os dias seguintes às quimioterapias eram horríveis, e pensava que não acordaria viva, tamanha fraqueza e mal estar”.

 

“O tempo não passa e os dias são intermináveis. Falta o chão, falta sono, falta dinheiro. O cérebro parece que não funciona direito e qualquer sinal do corpo é um alerta. O pouco que se dorme, os pesadelos atormentam e quando se fica acordado passa um filme de tudo que você fez e tudo que faltou fazer”, reflete.

 

A sensação de perder a batalha para o câncer passou muitas vezes pela cabeça de Jucenilse. Mas saber que tinha uma filha e a mãe ao lado dela naquele momento difícil, percebeu que precisava lutar e não desistir.

 

 

“Então um dia pensei, se eu morrer que seja lutando. Tenho minha mãe e minha filha, vou fazer isso por mim e por elas”.

Jucenilse e a filha Paula, antes e depois da descoberta do câncer (Fotos: Arquivo pessoal)

Queda de cabelo

 

Um dos efeitos colaterais mais conhecidos e que causa mais ansiedade nos pacientes oncológicos é a queda de cabelo. Para as mulheres a situação é ainda mais difícil. Ter que se acostumar com a ideia, no começo, muitas vezes é torturante, e em muitos casos ocorre a perda da autoestima.

 

Para Juce não foi diferente. Nas fotos em que ela está, antes do diagnóstico do câncer, nota-se que seus cabelos eram bem compridos e cuidados.

 

Ela precisou raspar a cabeça quando iniciou o tratamento, mas se manteve de pé o tempo todo. “Careca e com 22 kg a mais, não desanimei”.

 

A única filha de Jucenilse, na época, tinha 12 anos. Preocupada com a mãe e triste por saber que ela perderia o cabelo em breve, raspou uma parte da cabeça e presenteou a mãe com os cabelos para que fizesse uma peruca.

 

“Guardei o cabelo, porque superei bem tranquilo careca. Percebi que cabelo é só um detalhe. Tanto que nunca mais deixei o cabelo crescer”, comenta.



Recuperação

 

Foram oito meses de tratamento intensivo lutando contra o câncer. Dias em que Jucenilse aprendeu, recebeu lições de vida, e reviveu. Mesmo passando pelas dificuldades nesse período, conseguiu se manter em pé, e hoje se diz vencedora por não ter desistido.

 

“A cura? Na verdade se você tem força e esperança, você se sente curada, mesmo se tratando”.

 

Jucenilse, até os dias de hoje, realiza o tratamento através de medicamentos específicos, todos os dias, e segue com acompanhamento e exames para saber como a saúde anda.

 

“Gosto muito de um poema de William Shakespeare que todo mundo deveria ler "UM DIA A GENTE APRENDE", simplesmente perfeito”, deixa a dica para os leitores.

 

“A gente percebe que, apesar das dificuldades, "tudo passa", e que devemos fazer escolhas. Escolhas que nos façam bem e tirar lições, aprender com tudo. Tirar o lado bom mesmo quando a situação é ruim. E para as pessoas que estão passando por isso, lhes digo, NUNCA DESISTAM, pois o desanimo é o alimento da doença e coragem é o remédio”, finaliza.



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