Mulher dá à luz durante coma induzido por causa da Covid-19 e descobre dias depois que filha nasceu

Danúbia conheceu Maria Luiza por videochamada logo após acordar na UTI

23/02/2021 14h56 - Atualizado em 23/02/2021 15h21



Danúbia foi mantida em coma induzido até apresentar melhora, 17 dias depois do parto (Foto: Divulgação)

Danúbia Leida, de 38 anos, só conheceu a filha recém-nascida 17 dias após o parto e por videochamada. A advogada de Maravilha ficou sedada na unidade de terapia intensiva (UTI) por causa de complicações da Covid-19.

 

O caso ocorreu em outubro do ano passado, mas ganhou repercussão este mês após uma publicação da mãe agradecendo aos profissionais de saúde que cuidaram dela e da filha.

 

"Quando acordei do coma, a primeira coisa que fiz foi colocar a mão na minha barriga. Eu não sabia onde estava, não sabia o que tinha acontecido e pensei que tinha perdido o bebê. Não me recordava da cesárea. Depois que saí literalmente do coma, foi feito uma chamada de vídeo e pude vê-la [a filha]", relembra.

 

Passado o pior, mãe e filha puderam se conhecer pessoalmente 19 dias depois do nascimento. Agora, a menina de quatro meses e Danúbia estão bem, mas sempre que pode, a catarinense alerta amigos, parentes e familiares sobre o perigo do novo coronavírus.

Família de Danúbia (Foto: Samara Duarte)

Gravidez e internação por Covid-19

 

A família não planejava a chegada de Maria Luiza. Danúbia descobriu a gravidez no início do ano passado. Apesar da pandemia de Covid-19, a gestação foi tranquila, segundo ela. Mas no fim de setembro as coisas mudaram quando ela, o marido e a filha mais velha contraíram a doença.

 

"A princípio, eu não tinha sintomas muito fortes, mas uns dias antes de acabar o isolamento, comecei a apresentar uma piora no quadro. Mas todas as vezes que eu ia ao centro de triagem, meu exame dava negativo, ficava em observação e voltava para casa. No dia 6 de outubro eu piorei bastante, tive falta de ar. O raio-x mostrou que o meu pulmão estava bem comprometido", relembra.

 

A advogada disse que assim que foi constatada a sua situação, foi realizada uma transferência às pressas para um hospital de Chapecó. No local, Danúbia piorou novamente e teve quer ser intubada e sedada. Foi então que a equipe médica, com a autorização do marido, resolveu fazer a cesárea. Maria Luiza estava com 35 semanas, ou seja, oito meses.

 

"O que eu sei, é que fizeram uma chamada de vídeo com ele [marido] e resolveram fazer o parto. Tudo ocorreu de forma tranquila. Apesar de eu não me lembrar, são as histórias que as pessoas me contam", diz ela.

 

A bebê ficou poucos dias no hospital acompanhada pelo pai. "O pai que se virou, foi ele a primeira mãe da Maria", disse Danúbia.

Danúbia foi levada às pressas para hospital devido a piora no quadro de Covid-19 (Foto: Arquivo pessoal)

Saindo do coma

 

Após o parto, Danúbia foi mantida em coma induzido até apresentar melhora, 17 dias depois. As primeiras informações que recebeu foram das enfermeiras que tentavam tranquilizar a mãe. A advogada só acreditou que tudo havia ocorrido bem, após as profissionais mostrarem fotos da criança.

 

A alta médica da paciente, que ocorreu no dia 25 de outubro, e foi comemorada na UTI. Com balões e muita emoção Danúbia agradeceu os profissionais.

 

"Quando eu sai da UTI, não consegui caminhar nem elevar o braço para me alimentar. Meu marido cuidou de mim. Outras sequelas eu não tive. Mas tem o pós Covid-19. Tem a fisioterapia e remédios. Eu desenvolvi trombose pulmonar, em virtude da Covid e tenho que fazer acompanhamento médico, mas estamos passando por esta fase", disse.

 

No mesmo dia da alta hospitalar, o reencontro entre mãe e filha aconteceu, 19 dias após o parto. Muito emocionada e junto da família, Danúbia pôde, enfim, estar junto com a pequena Maria Luiza. A família comemorou reunida o Natal. "Deus nos permitiu estarmos juntos", disse a mãe.

Do G1


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