É FAKE cálculo que diz que índice de eficácia da CoronaVac é inferior a 50%

Instituto Butantan reafirma que o índice de eficácia global da vacina contra o coronavírus desenvolvida em parceria com a Sinovac é de 50,38%

Por Oeste Mais

21/01/2021 16h31



É #FAKE cálculo que diz que índice de eficácia da Coronavac é inferior a 50% (Foto: Reprodução G1)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou no domingo, dia 17, por unanimidade, o uso emergencial das vacinas Coronavac e da Universidade de Oxford contra a Covid-19. Segundo Leonardo Filho, estatístico da Anvisa, a eficácia da Coronavac é de 50,4%, em percentual arredondado.

 

A mensagem falsa apresenta um cálculo e diz: "4653 voluntários foram vacinados. 85 dos vacinados foram infectados. 4599 voluntários no placebo. 167 do grupo placebo foram infectados. Usando esses dados, a eficácia global seria de 49,7%, inferior ao limite de 50% da Anvisa e OMS."

 

Consultado, o Instituto Butantan reafirma que o índice de eficácia global da vacina contra o coronavírus desenvolvida em parceria com a Sinovac é de 50,38%.

 

"Não há nenhuma margem de dúvida quanto aos resultados divulgados na terça-feira, dia 12,  e qualquer interpretação diferente é de quem desconhece a epidemiologia e os métodos científicos reconhecidos mundialmente. O estudo foi submetido e aprovado por um comitê internacional independente, e apresentado à Anvisa rigorosamente conforme as normas estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde. Os resultados não teriam sido enviados à Anvisa se o índice mínimo de eficácia global não tivesse sido atingido. Quem põe em dúvida o resultado apresentado especula contra a ciência e só favorece teorias conspiratórias."

 

Cálculo errado

 

José Cássio de Moraes, da Comissão de Epidemiologia da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, afirma que o cálculo usado para chegar ao índice de eficácia global da Coronavac de 50,38% está correto e segue os mesmos critérios utilizados no cálculo da eficácia de outras vacinas, com a Oxford, Pfizer e Moderna.

 

Ele explica que a mensagem falsa contém um cálculo errado.

 

"Quando você quer fazer uma contagem de casos de qualquer coisa depende da população que você está estudando e do tempo que você está analisando. Como é que você faz o cálculo de eficácia da vacina? Esse cálculo foi feito na Oxford, foi feito na Pfizer, foi feito na Moderna. É o número de casos que aconteceram em cada grupo, vacinado ou placebo, dividido pelo número de pessoas x o tempo que essas pessoas ficaram em observação", diz.

 

O professor diz que o cálculo deve levar em conta o fato de que algumas pessoas entraram no começo da pesquisa e outras há dois meses na pesquisa.

 

"Então você precisa dar a mesma chance para cada participante. Quanto mais tempo você observar, quanto mais participantes você tiver e quanto mais tempo você observar esses participantes, podem surgir mais casos. Então, tecnicamente, isso se chama densidade de incidência, um nome meio pomposo para diferenciar de incidência. Na hora que você faz esse cálculo, numerador = número de casos, denominador = pessoas/tempo dá exatamente aquilo que foi publicado", afirma.

 

"Não se faz a divisão pelo número de participantes, porque os participantes não entram todos eles no mesmo dia. Eles não são observados ao mesmo tempo. Então você não pode fazer o cálculo desse jeito. Isso é uma coisa básica de análise de risco de uma população vacinada e de uma população não-vacinada. Se tiver 100 mil pessoas e tiver um ano, eu vou ter muito mais casos do que se eu tiver 10 mil pessoas em um mês. O erro é do denominador. Eu vi o Facebook e o que ele fez: número de casos pelo número de vacinados. Número de casos pelo placebo. Só que o denominador não é isso", concluiu.

Com informações do G1


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