Santa Catarina tem a terceira maior taxa de contágio por coronavírus no país e curva em ascensão

Pesquisador da Fiocruz e ex-diretor do Ministério da Saúde afirma que índice de SC é menor apenas do que o do Paraná e do Mato Grosso

Por Oeste Mais

09/07/2020 08h53 - Atualizado em 09/07/2020 08h53


Desde 23 de junho, o governo do estado tem divulgado diariamente uma média de 1.180 novos casos de coronavírus. De lá para cá, Santa Catarina também registra uma média de nove mortes por dia. Mas segundo avaliação de Julio Henrique Croda, ex-diretor do Departamento de Imunizações e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e pesquisador da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), a situação tende a ficar ainda mais grave nas próximas semanas em Santa Catarina. O especialista recomenda adotar novas medidas de isolamento social para interromper a onda de contágio.

 

Isso porque a taxa de contágio do novo coronavírus, também conhecida pela sigla RT entre os especialistas, é a terceira maior do país atualmente, segundo Croda. Atrás apenas do Paraná e Mato Grosso. Com um índice de RT de 1,34, significa dizer que dez infectados com o novo coronavírus contaminam outras 13 pessoas. No Paraná esse índice é de 1,47 e no Mato Grosso, de 1,35. A média brasileira até 6 de julho era de 1,02.

 

“Santa Catarina entrou numa fase exponencial no meio do mês passado, em 16 de junho. Estava estável e aí veio numa curva exponencial. A curva de Santa Catarina está em plena ascensão, sem sinal de estabilização. Geralmente após duas semanas do aumento no número de casos, vêm os óbitos”, explicou Croda.

 

Conforme o especialista, é necessário que essa taxa fique abaixo de 1 para que a contaminação exponencial da população comece a cessar e haja a contenção da pandemia.

 

Santa Catarina chegou a ter um RT superior a 3 no início da pandemia, em março, quando uma pessoa com o vírus era capaz de infectar até outras três. Com as medidas de restrição da circulação de pessoas e de serviços considerados não essenciais, a taxa começou a cair gradativamente. O governo do estado afirmou na época que, com o isolamento social, foi possível reduzir em 50% a taxa de contágio.

 

Chegou a 1,56 em abril, mas oscilou para cima com as medidas de flexibilização, como abertura do comércio de rua no dia 13 daquele mês, alcançando 1,73.

 

Desde 4 de maio o índice vinha numa tendência de estabilização e queda gradativa. O ponto mais baixo foi alcançado no dia 16 de junho, com RT de 1,11, mas voltou a subir desde então.

 

Situação de SC é de atenção e novas restrições são recomendadas

 

Na avaliação do especialista, o quadro de Santa Catarina, comparado aos demais estados, é de atenção, porque a curva de novos casos e óbitos é de ascensão. Além disso, o estado começa a apresentar lotação de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), pressionado tanto pelos pacientes com covid-19 quanto de outras doenças típicas dessa época do ano.

 

O baixo índice de isolamento é outro fator que precisa ser controlado, afirma Croda. Segundo dados do In Loco, os mesmos utilizados pelo governo do Estado para monitorar a movimentação de pessoas a partir de dados de GPS (Sistema de Posicionamento Global) gerados por celulares, desde 11 de maio, Santa Catarina teve dificuldades em manter uma taxa de isolamento acima de 40% nos dias úteis. Isso ocorreu em apenas seis dias.

Com informações do Diário Catarinense

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