Pesquisadores brasileiros desenvolvem técnica para combater epilepsia

Dispositivo criado na UFMG bloqueia a crise antes dela acontecer através de pulsos elétricos

Por Oeste Mais

27/09/2019 11h14 - Atualizado em 17/04/2020 14h39



Dispositivo detecta os sinais que antecedem uma crise de epilepsia (Foto: Flávio Afonso Gonçalves/NNC)

Alguns pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) desenvolveram e patentearam uma técnica que, por meio de pulsos elétricos, dessincroniza o passo certo dos neurônios, bloqueando a crise antes que ela aconteça.

 

O objetivo de dessincronizar a rede neural é evitar que uma atividade irregular seja transferida de uma para outra área. Ou seja, o tratamento usa estimulação elétrica para bagunçar o funcionamento da rede de neurônios e evitar assim o sincronismo anormal.

 

De acordo com Márcio Flávio Dutra Moraes, coordenador do Núcleo de Neurociências (NNC) da UFMG, num ataque de epilepsia essas células do cérebro começam a disparar sinais acima do normal, ou seja, elas ficam hiperexcitadas, e fazem isso em hipersincronia. Ainda segundo o pesquisador, isso faz com que a crise, que está numa área do cérebro, se propague para outra.

 

A epilepsia é tratada até hoje com drogas ou cirurgia.  O pesquisador da UFMG diz apesar de haver mais de cem anos de história de desenvolvimento de fármacos para a terapia da doença, houve pouco avanço em termos de resolver casos clínicos que são refratários ao tratamento com algumas das primeiras drogas disponíveis.

 

As drogas utilizadas para o tratamento da epilepsia deixam os neurônios mais lerdos, menos excitados. Mas isso tem efeitos colaterais ruins. Os medicamentos também deixam o cérebro mais lento para outras atividades, como estudar ou trabalhar.

 

Já no caso da cirurgia, o que é feito é remover a parte da massa encefálica que está com problema, ou seja, que causa as crises epilépticas. Com isso, tira-se o mal, mas também um grande número de circuitos neurais, que podem estar envolvidos em atividades importantes do cérebro. Além disso, é um tratamento que não pode ser aplicado para todos os casos da doença.

 

Os pesquisadores pensaram então em usar um tipo de eletroterapia, uma ação muito mais rápida na rede neural quando comparada às terapias farmacológica,  que evitasse o sincronismo da atividade entre áreas, mesmo ao custo de aumentar um pouco sua excitabilidade.

 

A diferença para um marca-passo é que esse dispositivo não estará ligado o tempo todo.  Ele só ligará quando um ataque estiver para acontecer, já que o dispositivo consegue detectar sinais que antecedem a crise. Os primeiros estudos indicam que, mesmo que aparelho não fique o tempo todo ligado, o paciente terá de usar o dispositivo permanentemente.

Com informações da BBC News


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