Bolsonaro fica pouco mais de três horas em passagem rápida por Santa Catarina

Presidente participou do congresso dos Gideões Missionários da Última Hora, em Camboriú

Por Oeste Mais

03/05/2019 07:52



O presidente Jair Bolsonaro participou na noite desta quinta-feira, dia 2, do congresso dos Gideões Missionários da Última Hora, entidade religiosa ligada à Assembleia de Deus. O evento ocorre em Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina.

 

O político subiu ao palco do evento às 19h30. Bolsonaro veio acompanhado do chefe de Gabinete e Segurança Institucional, Augusto Heleno Ribeiro Pereira, e de vários deputados federais.

 

Participaram da cerimônia ainda o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés da Silva, a vice-governadora Daniela Cristina Reinehr e outras autoridades catarinenses. Cerca de 20 mil pessoas estavam presentes.

Presidente Bolsonaro com governador de SC, Carlos Moisés (Foto: Julio Cavalheiro/Secom)

Por volta das 20h30, o presidente recebeu uma homenagem na forma de uma placa e participou de uma homenagem a um veterano de guerra. Bolsonaro fez um discurso de oito minutos, agradeceu as autoridades presentes e por ter sobrevivido ao ataque durante a campanha política.

 

Essa foi a primeira visita oficial do presidente à Santa Catarina. Ele deixou o evento em Camboriú às 21 horas, com a comitiva seguindo para Brasília após pouco mais de três horas da chegada ao estado.

 

Entrevista

 

Jair Bolsonaro (PSL) concedeu uma entrevista exclusiva para a RICTV Record. Entre os temas tratados, o presidente falou ao repórter André Rohde sobre obras de infraestrutura em Santa Catarina, possibilidade de privatização de rodovias, a reforma da previdência e a situação da crise na Venezuela.

 

O senhor teve uma votação expressiva aqui em Santa Catarina. O que os catarinenses podem esperar do seu governo, principalmente em termos de obras de infraestrutura? Há uma expectativa de duplicação da BR-282, conclusão das obras da 470, uma ferrovia para trazer o frango e suíno do interior para os portos. O que Santa Catarina pode esperar?

O que for possível da nossa parte. São três obras de vulto. Todos sabem que nós pegamos o Brasil quebrado moral, ética e economicamente. Vamos fazer o possível para recuperar o Brasil. Precisamos dessa Nova Previdência para sobrar recursos para realizar essas obras importantes para todos nós.

 

Privatizações de rodovias seria uma alternativa?

Tem essa alternativa. Nosso ministro Tarcisio [Gomes de Freitas, ministro da Infraestrutura] tem trabalhado neste sentido. Há poucos dias nós completamos junto à iniciativa privada a efetiva construção da ferrovia Norte-Sul. Ficará pronta em três anos. Temos privatizado portos. E as rodovias também estão nesse mesmo radar nosso. O poder público não tem recursos. Quase todo orçamento é consumido com despesa obrigatória e, se levar em conta a previdência, temos um déficit em torno de R$ 200 bilhões por ano. Então não podemos prometer o impossível. Eu prometo muito empenho, trabalho e buscar, de todas as maneiras, solucionar os problemas de nosso Brasil.

 

O senhor acha que é possível aprovar a reforma da Previdência ainda no primeiro semestre? Qual a sua expectativa?

É possível. Há um sentimento favorável por parte dos parlamentares. Há turbulência no início de qualquer legislatura. Isso está praticamente resolvido. Temos um bom trânsito com o parlamento e, em especial, junto aos presidentes Rodrigo Maia (DEM) e Davi Alcolumbre (DEM). Então creio que não temos qualquer turbulência para poder aprovar a reforma da previdência. Agora, não podemos deixar de continuar atentos e trabalhando incessantemente na busca desse objetivo.

 

Qual o projeto do governo para acabar com a guerra fiscal entre os estados? E também com relação a um possível novo pacto federativo para que municípios também tenham mais recursos?

Por 28 anos enquanto estive dentro do parlamento sempre se buscou essa reforma na área econômica. Chega um dado momento que há um entrave entre municípios e estados, estados e União, ou município e União. Vamos perseguir esse objetivo. Temos uma proposta rascunhada. Não queremos apresentá-la agora para não atrapalhar o andamento da reforma da previdência. Acredito que dessa forma, apresentada por nós, deveremos ter o apoio de todos e daremos um passo e não um grande passo na busca dessa pacificação.

 

Em relação à Venezuela, que vive um momento de tensão. Na sua opinião, qual deve ser o papel do Brasil na mediação desse conflito?

Nós estamos fazendo a nossa parte, estamos apoiando o atual presidente (autoproclamado) Juan Guaidó. Nesse momento existe uma fissura na base das forças armadas. A gente espera que ela cresça até o topo da pirâmide. Por que se não for dessa maneira, não temos como sonhar em ter o povo venezuelano desfrutando de liberdade e democracia. Continuamos essa batalha. Até louvo o espírito patriótico de Juan Guaidó nesse momento. Ele não está só. Grande parte da população está com ele. Agora, na fraqueza do (Nicolás) Maduro, há a força da ditadura venezuelana. O Maduro está refém e ele parece que gosta dessa situação, não só da cúpula das forças armadas que são generais narcotraficantes, bem como grande parte da ditadura cubana que deve ter uns 60 mil homens lá dentro, um pouco da interferência russa se faz presente lá também, grupos guerrilheiros, e até mesmo grupos terroristas internacionais.

 

Em uma possível intervenção militar na Venezuela, o senhor acha que o Brasil deve participar?

A nossa chance é zero no tocante a isso. Obviamente o (Donald) Trump falou para mim, particularmente, e para o mundo depois, que todas as possibilidades estão na mesa para os americanos. Por ventura, caso ele queira o apoio do Brasil em algum momento, o papel de presidente é reunir o Conselho de Defesa, tomar uma decisão e essa decisão, obviamente, ser submetida ao Congresso Nacional.

 

O senhor esteve aqui no mesmo evento no ano passado, e fez questão de voltar aqui agora por quê?

Eu quero agradecer as orações e continuar pedindo porque a vida de um presidente não é fácil. Nós, com Deus ao nosso lado, tenho a certeza que venceremos os obstáculos para o bem dos 208 milhões de brasileiros.

Com informações do G1 e ND Mais


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