Presidente do TSE rebate críticas de Bolsonaro ao sistema eleitoral: ‘tudo retórica vazia’

Ministro Luís Roberto Barroso fez declarações enfáticas nesta quinta-feira

Por Oeste Mais

09/09/2021 14h40 - Atualizado em 09/09/2021 14h45



O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, fez um pronunciamento nesta quinta-feira, dia 9, para rebater os ataques do presidente Jair Bolsonaro durante as manifestações registradas no dia 7 de setembro, aniversário da Independência do Brasil.

 

A segurança das eleições por meio das urnas eletrônicas foi a tônica do pronunciamento. "As eleições brasileiras são totalmente limpas, democráticas e auditáveis. Eu não vou repetir uma vez mais que nunca se documentou fraude, que por esse sistema foram eleitos FHC, Lula, Dilma e Bolsonaro e que há 10 (dez) camadas de auditoria no sistema”.

 

Barroso disse que a contagem pública dos votos é regressar a um passado suscetível a fraudes. “Contagem pública manual de votos é como abandonar o computador e regredir, não à máquina de escrever, mas à caneta tinteiro. Seria um retorno ao tempo da fraude e da manipulação. Se tentam invadir o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, imagine-se o que não fariam com as seções eleitorais”, argumentou o ministro.

 

Sobre a declaração de Bolsonaro na última terça-feira, em que o presidente disse que não pode “participar de uma farsa como essa patrocinada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral”, Barroso foi enfático:

 

“O presidente da República repetiu, incessantemente, que teria havido fraude na eleição na qual se elegeu. Disse eu, então, à época, que ele tinha o dever moral de apresentar as provas. Não apresentou. É tudo retórica vazia. Hoje em dia, salvo os fanáticos (que são cegos pelo radicalismo) e os mercenários (que são cegos pela monetização da mentira), todas as pessoas de bem sabem que não houve fraude e quem é o farsante nessa história”.

 

Ainda sobre a recusa do voto impresso, recentemente não aceito em votação no Congresso Nacional, o presidente do TSE chegou a classificar as atitudes de Bolsonaro como ‘covardes’ e que ‘falta coragem’ ao presidente, que insiste em atacar o TSE e não o Congresso, responsável pela decisão de manter o sistema de votação como é.

 

“Foi o Congresso Nacional – não o TSE – que recusou o voto impresso. E fez muito bem. O presidente da Câmara afirmou que após a votação da proposta, o assunto estaria encerrado. Cumpriu a palavra. O presidente do Senado afirmou que após a votação da proposta, o assunto estaria encerrado. Cumpriu a palavra. O presidente da República, como ontem lembrou o presidente da Câmara, afirmou que após a votação da proposta, o assunto estaria encerrado. Não cumpriu a palavra. Seja como for, é uma covardia atacar a Justiça Eleitoral por falta de coragem de atacar o Congresso Nacional, que é quem decide a matéria”, disse Barroso.


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