MP do Trabalho entra com ação contra dono da Havan após denúncias de coação eleitoral

Órgão pede o pagamento de multa de R$ 1 milhão caso persista a conduta irregular

03/10/2018 10h26 - Atualizado em 17/04/2020 14h39



O Ministério Público do Trabalho de Santa Catarina (MPT-SC) entrou nesta terça-feira, dia 2, com uma ação contra a empresa Havan e o dono da companhia, Luciano Hang, por imposição, coação ou direcionamento nas escolhas políticas dos empregados. O MPT pede pagamento de multa de R$ 1 milhão caso persista a conduta irregular. Em reunião com seus colaboradores, Luciano Hang, que apoia a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) à presidência da República, destaca seu posicionamento político. O caso foi distribuído para análise da 7ª Vara do Trabalho de Florianópolis.

 

A ofensiva do MPT ocorre após Hang aparecer em um vídeo, publicado no Facebook, no qual reuniu os funcionários da empresa e afirmou que vai repensar o plano estratégico de expansão da rede de lojas em caso de vitória de um candidato de esquerda. O empresário também cita a realização de uma pesquisa interna que apontou que 30% dos colaboradores estariam pensando em votar em branco ou nulo. Até a noite desta terça foram notificadas mais de 35 denúncias sobre o caso no portal do MPT.

Luciano Hang afirma que apenas reforçou seu posicionamento para os funcionários (Foto: Havan/Divulgação)

Por meio de nota, o órgão destaca que a ação contra a Havan e seu proprietário busca assegurar "a liberdade de orientação política e o direito à intimidade dos trabalhadores da Havan, bem como garantir aos empregados do grupo o direito de exercício da cidadania plena".

 

O procedimento encaminhado pelo MPT é em caráter de urgência, justificado pela proximidade das eleições, que têm o primeiro turno no domingo, dia 7.

 

Luciano Hang afirmou que não teve a intenção de coagir seus funcionários em relação à escolha de candidato nas eleições, mas que apenas deu sua opinião de que, se a esquerda ganhar, "todos os empresários brasileiros devem pisar no freio ou dar marcha ré". No entendimento de Hang, o MPT busca "holofote" com a medida.

 

“O que o Ministério Público está querendo fazer é calar a voz de um empresário que sabe o que está falando e tem 15 mil colaboradores diretos e mais de 60 mil colaboradores indiretos e quer o bem do país”, disse.

 

Antes de o MPT ingressar com a ação na Justiça do Trabalho, Hang confirmou a realização da pesquisa interna em relação à intenção de voto de seus funcionários e o reforço do posicionamento político defendido por ele.

 

“Fizemos pesquisa interna e notamos que 30% dos colaboradores ainda não têm candidato, vão votar em branco ou nulo. Chamei a responsabilidade para que, no dia 7, é preciso escolher um candidato e, se possível, um candidato de direita, porque, se votar na esquerda, eu, particularmente, me vejo muito desconfortável para investir no país”, declarou.

 

O empresário disse que ainda não foi notificado e que vai se defender das acusações. Além da multa de R$ 1 milhão, o MPT solicita pagamento de R$ 500 mil por "demais itens não observados" e R$ 10 mil por trabalhador prejudicado.

Da GaúchaZH


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