Audiência pública debate ineficiência do horário de verão e malefícios à saúde

Reunião em Brasília foi motivada por projeto de deputado catarinense que propõe o fim do horário de verão

Por Oeste Mais

25/11/2016 14h28 - Atualizado em 17/04/2020 14h39



Audiência pública sobre horário de verão contou com a presença de médico cardiologista e mestre em energia solar (Foto: Divulgação)

“Não há maneiras de comprovar a economia de energia atribuída ao horário de verão”. A afirmação é do mestre em energia solar, Alexandre Heringer Lisboa, durante audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família ocorrida na quinta-feira, dia 24. A audiência foi motivada pelo projeto de lei 397/2007, de autoria do deputado federal Valdir Colatto, que propõe o fim do horário de verão.

 

Para Lisboa, a economia com a adoção do horário de verão, na ordem de 0,5%, está abaixo da margem de erro. “Além disso, analisando dados do Operador Nacional do Sistema (ONS), é possível observar que durante o verão, a demanda máxima de energia ocorre no início e meio da tarde, e não no final, para justificar o aproveitamento da luz natural”, destacou o mestre Alexandre Lisboa. Ele acrescentou ainda, como sugestão, que o governo invista num programa de aquecimento solar, como alternativa para a adoção do horário de verão.

 

O médico especialista em cardiologia, Guilherme Honório Pereira, iniciou sua apresentação destacando que a economia de R$ 150 milhões com o horário de verão, representa apenas R$ 1 por brasileiro, o que significa menos de R$ 0,008 por dia. Honório Pereira trouxe estudos relacionados ao horário de verão realizados em todo o mundo e destacou os prejuízos causados ao sono das pessoas.

 

Uma das pesquisas, realizada com 55 mil pessoas da Europa Central, que continuaram no horário padrão por todo o horário de verão, analisou os picos de sonolência e do estado de alerta e concluiu que a adaptação nunca ocorre. “Essa pesquisa faz cair por terra o conceito de que ocorre apenas uma hora de perda no sono. Ou melhor, a perda não existe, pois, as pessoas acordam uma hora mais cedo, mas dormem uma hora mais cedo também”, pontuou o médico.

 

O cardiologista mostrou ainda estudos norte-americanos que atestam o aumento de 25% no número de ataques cardíacos na segunda-feira após o início do horário de verão. Já no final deste horário foi verificada a queda no número de infartos em 21%. Além disso, existem estudos que comprovam o aumento do número de suicídios, em decorrência de depressão causada por distúrbios do sono; aumento nos acidentes nas estradas, atribuído à sonolência diurna; diminui o rendimento escolar de crianças e jovens; e as consequências de erros profissionais que podem acabar em morte.

 

Para o deputado Valdir Colatto, as bruscas alterações de horário, ocasionando distúrbios que causam fadiga, dores de cabeça, confusão de raciocínio, irritabilidade, constipação e queda da imunidade, são suficientes para justificar o fim do horário de verão. “Se a saúde das pessoas não é importante, o que é? Dizem que economizamos energia, mas de que vale essa economia se estamos perdendo vidas?”, questiona o parlamentar catarinense.

 

Ele defende que o horário de verão seja extinto, visando a melhoria na qualidade de vida da população. “Os trabalhadores rurais são os que mais relatam as consequências do horário diferenciado. O desconforto que a adoção deste horário acarreta é experimentado por todos que são obrigados a acordar mais cedo, incluindo as crianças”, destacou Colatto.

 

Uma das medidas propostas pelo deputado e que pode solucionar o alto consumo de energia é o desenvolvimento de ações permanentes do governo que possam orientar e educar a população brasileira sobre o uso consciente de energia nos horários de ponta, das 18 horas às 21 horas. “Está claro que quem paga a conta dessa medida é o Sistema Único de Saúde (SUS) e a população”, alerta.


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