Donos de fábrica que falsificava carros de luxo em SC dizem que ‘marca não era usada em si’

Polícia apura se veículos eram feitos com base em projetos da Ferrari e Lamborghini

Por Oeste Mais

17/07/2019 09:35 - Atualizado em 17/07/2019 09:35



Fabricação de réplicas de carros de luxo em Itajaí (Foto: Polícia Civil)

Após a apreensão de oito réplicas que estavam sendo montadas, segundo a polícia, em uma fábrica de carros falsificados das marcas Ferrari e Lamborghini, descoberta em Itajaí na última segunda-feira, dia 15, os donos se defenderam da acusação de crime contra a propriedade industrial.

 

"A gente não está usando a marca em si, a gente utiliza emblema, essas coisas, como acessório", disse Alan Góes, um dos proprietários. Ele e o pai foram indiciados após a polícia encontrar chassis, moldes, ferramentas e fibras usadas na fabricação dos veículos.

 

A venda era feita via redes sociais. O cliente escolhia uma cor e um dos oito modelos. Porém, um bom conhecedor perceberia que o ronco do motor não era de um carro de luxo.

Fabricação de réplicas de carros de luxo em Itajaí (Foto: Polícia Civil)

Com a carcaça de um carro usado, os donos criavam modelos que no desenho se parecem muito com os originais. A diferença era o preço, cerca de 8% do valor original.

 

Pai e filho respondem em liberdade pelo crime. "A parte do desenho industrial, eles estão alegando que o tamanho e o desenho do carro são a mesma coisa, mas não são", disse Alan Góes.

 

"Se pegar o projeto do desenho industrial de um carro, de uma Lamborghini, de uma Ferrari, e colocar o produto que a gente estava comercializando, vão ver que não é a mesma medida", completou.

 

Os veículos vinham com documento. "O carro é todo documentado e legalizado. Se eu consigo legalizar um carro, ele não tem nada de ilegal porque ele tem um documento e tem fé pública, um documento que é emitido por um órgão de trânsito, o Denatran [Departamento Nacional do Trânsito]", afirmou Nilton Góes.

Fabricação de réplicas de carros de luxo em Itajaí (Foto: Polícia Civil)

Investigação

 

Contudo, o delegado Angelo Fragelli explicou que o carro era registrado como protótipo, o que não dava o direito de reproduzir o padrão de nenhuma marca.

 

Os proprietários vinham copiando os modelos famosos há dois anos. Mas já tinham conhecimento no negócio — há mais de 20 anos tinham licença para customizar carros.

 

"Não se trata de crime aqui a construção artesanal de um veículo. O crime que está sendo apurado é a construção de um veículo com características patenteadas por outras marcas", esclareceu o delegado.

 

Advogados das marcas de luxo denunciaram a falsificação. A fábrica não foi fechada, mas os carros ilegais foram apreendidos. Se forem condenados, a pena para esse tipo de crime pode chegar a três anos de prisão.

Com informações do G1


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