Ministério Público denuncia autor de chacina em creche por 5 homicídios consumados e 14 tentados

Promotor Douglas Dellazari, responsável pelo caso, concedeu entrevista coletiva nesta sexta-feira

Por Oeste Mais

21/05/2021 16h58 - Atualizado em 21/05/2021 18h17



Douglas Dellazari (centro), promotor responsável pelo caso (Foto: Reprodução)

O Ministério Público concluiu nesta sexta-feira, dia 21, a ação penal contra Fabiano Kipper Mai, de 18 anos, responsável pela chacina em uma creche no município de Saudades, no Oeste catarinense. Ele foi denunciado por 5 homicídios consumados e 14 tentados, todos triplamente qualificados.

 

O promotor responsável pelo caso, Douglas Dellazari, concedeu uma entrevista coletiva no final da tarde de hoje para detalhar a denúncia encaminhada à Justiça. “Uma brutalidade incomum, uma multiplicidade de golpes absurda, sem nenhuma chance de defesa para essas vítimas”, destacou.

 

Fabiano invadiu a creche e matou duas educadoras e três crianças menores de dois anos de idade na manhã do dia 4 de maio deste ano.

 

“Crianças estavam no horário de repouso, na hora do soninho delas. Foram golpeadas em várias regiões do corpo, e inclusive nas costas”, revelou Douglas.

 

Segundo o promotor, o planejamento do crime foi iniciado pelo assassino por volta de dez meses antes. “A idealização que ele tinha era de um verdadeiro massacre”, disse Douglas.

 

Idolatria por assassinos

 

Com a quebra de dados de Fabiano, as investigações apontaram inúmeros acessos e pesquisas dele a conteúdos de extrema violência, que fomentavam ações discriminatórias, de ódio e matança generalizada.

 

“O denunciado nutria uma especial idolatria por assassinos em série, por criminosos, por assassinatos em massa, gerando essa motivação, que era matar o máximo de pessoas possível”.

Fabiano Kipper Mai está preso preventivamente (Foto: Reprodução/NDTV)

Douglas também informou que Fabiano pesquisou sobre o retorno das aulas presenciais em Santa Catarina, especificamente, em Saudades. Na véspera do crime, ele também fez pesquisas sobre a creche Aquarela, onde ocorreu o massacre.

 

O promotor ainda informou que o jovem pesquisou muitas vezes sobre instrumentos para praticar os assassinatos. Por várias vezes ele tentou adquirir uma arma de fogo, não conseguiu, e passou a avaliar a possibilidade de cometer o massacre com uma faca.

 

“Nesse ponto, ele fez pesquisa na internet sobre massacres em escolas cometidos com facas, o que denotava todo esse alvo que ele escolheu”.

 

Cronologia do crime

 

O promotor detalhou a cronologia dos atos no dia da chacina. Segundo Douglas, na manhã do dia 4 de maio, Fabiano foi normalmente ao local de trabalho. No horário do intervalo, foi para casa, preparou a mochila, chegou a fazer um lanche, pegou uma bicicleta e foi até a creche. Ele deixou a bicicleta na entrada e ingressou na unidade de ensino. O jovem carregava duas facas, uma inclusive de uso militar.

 

Também conforme o promotor, o assassino tentou entrar em várias salas, com o intuito de matar o maior número possível de pessoas. A faca utilizada por Fabiano tinha 68 centímetros de comprimento.

 

“É possível afirmar que por pouco essa tragédia não foi ainda pior, com várias vítimas fatais”, disse Douglas.

 

Após as mortes, Fabiano começou a estourar bombinhas no local. Homens adultos, vizinhos, foram até a creche, mas saíram achando que os estouros eram tiros. Em seguida, o autor decidiu sair da creche, mas se deparou com vários populares. Ele voltou para dentro da escola e passou a se autolesionar, momento em que foi detido.

 

40 pessoas estavam na creche

 

O promotor informou que no dia da chacina, 40 pessoas estavam na creche. O denunciado responderá por 19 homicídios, sendo 8 contra adultos e 11 contra crianças. Do total, são 5 homicídios consumados e 14 tentados. As qualificadoras são por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas.

 

O jovem recebeu alta na manhã do dia 12 de maio do Hospital Regional do Oeste (HRO), em Chapecó. Ele saiu da unidade hospitalar direto para a prisão, no mesmo município, onde continuará preso preventivamente, aguardando julgamento.


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