“Ele queria matar o máximo de pessoas”, diz delegado ao concluir investigação de chacina em creche

Polícia Civil concedeu entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira sobre o atentado em Saudades

Por Redação Oeste Mais

14/05/2021 09h58 - Atualizado em 14/05/2021 11h38



Coletiva de imprensa concedida pela Polícia Civil (Foto: Reprodução)

A Polícia Civil concedeu na manhã desta sexta-feira, dia 14, uma entrevista coletiva sobre a conclusão das investigações relacionadas à chacina registrada no dia 4 de maio deste ano em uma creche em Saudades, no Oeste de Santa Catarina. Fabiano Kipper Mai, de 18 anos, provocou a morte de cinco pessoas, entre elas, três crianças.

 

De acordo com o delegado Jerônimo Marçal Ferreira, responsável pelo inquérito, o jovem agiu de forma premeditada e queria fazer o maior número possível de vítimas. “Ele queria matar o máximo de pessoas”, afirmou. O delegado relatou na coletiva que o autor agiu com pressa e planejou o ato. “Ele planejou a ação há vários meses, desde o ano passado ele estava planejando”.

 

Jerônimo afirmou ainda que no dia do crime, Fabiano foi trabalhar e saiu do serviço no meio da manhã, passou em casa rapidamente e se dirigiu de bicicleta até a creche. O autor foi indiciado por cinco homicídios triplamente qualificados e uma tentativa de homicídio triplamente qualificada.

 

“Ele agiu sozinho. Não há qualquer indicativo que tenha sido auxiliado”, relatou o delegado durante a entrevista coletiva.

 

O responsável pelas investigações foi questionado sobre detalhes revelados por Fabiano durante o depoimento, mas preferiu não informar para não expor outras pessoas ligadas ao rapaz, como familiares e conhecidos. “E também porque eu não quero dar mídia para esse rapaz”, pontuou Jerônimo.

 

Pessoa muito isolada

 

O delegado informou que Fabiano era uma pessoa muito isolada e tinha dificuldades de relacionamento. “Vou dar dois exemplos: a família se reunia para jantar, ele não jantava com a família, ele pegava o prato dele e ia para o quarto; ele precisava comprar uma roupa, pedia para a mãe dele comprar”.

 

Jerônimo falou que o jovem disse ter começado a alimentar um ódio generalizado há algum tempo. Segundo o delegado, Fabiano tentou adquirir arma de fogo e queria descontar a raiva em pessoas que não tinham nada a ver com ele.

 

“Ele tinha acesso a muitos conteúdos inapropriados e contato com pessoas que pensavam parecido com ele”.

 

Ação consciente

 

O delegado informou na coletiva que o autor demonstrou no depoimento ter plena consciência de que o que fez é errado. “Isso mostra o total discernimento que ele tinha, ele sabia que o que ele ia fazer estava errado, mas ele fez mesmo assim”.

 

“Ele falou estar arrependido, mas eu não consegui aferir se era um arrependimento genuíno ou não, ou se era um arrependimento porque assim: ‘agora eu vou ser responsabilizado pelo o que eu fiz’”.

 

Tentativa de suicídio

Fabiano Kipper Mai, de 18 anos, está preso (Foto: Reprodução/NDTV)

Fabiano tentou tirar a própria vida após os assassinatos. O jovem ficou internado por uma semana no Hospital Regional do Oeste (HRO), em Chapecó, recebendo alta na manhã de quarta-feira, dia 12, de onde embarcou em uma van do Departamento de Administração Prisional (Deap) já com roupa de presidiário.

 

O autor estava com as mãos para frente, algemadas. No pescoço do jovem há várias cicatrizes que indicam cortes. “O próprio planejamento dele já incluía a intenção de tirar a própria vida”, disse o delegado.

 

Arma custou R$ 400

 

Fabiano comprou a arma do crime pela internet, informou a Polícia Civil. Conforme o delegado, trata-se de uma faca. “Tem as especificidades dela, mas é uma faca”, disse Jerônimo, informando ainda que o jovem pagou R$ 400 pelo objeto, que chegou cinco dias antes da chacina.

 

Segundo o delegado, foi após receber a arma que Fabiano definiu o local onde iria cometer o crime. “A raiva dele era contra qualquer pessoa, ele atacaria qualquer pessoa a qualquer momento. Ele deixou bem claro também que [a escolha do local] foi pela fragilidade das vítimas”.

 

Mortes

 

O autor matou os bebês Ana Bella Fernandes de Barros, de 1 ano e 8 meses, Sarah Luiza Mahle Sehn, de 1 ano e 7 meses, e Murilo Massing, de 1 ano e 9 meses. Também foram assassinadas a professora Keli Adriane Aniecevski, de 30 anos, e a agente educacional Mirla Renner, de 20.

 

O bebê de 1 anos e 8 meses que sobreviveu ao ataque, Henryque Hübler, recebeu alta na tarde do último domingo, dia 9. Ele foi recebido com festa em uma cerimônia realizada por vizinho na volta para casa.

 

Mais de 20 testemunhas

 

A Polícia Civil ouviu mais de 20 testemunhas ao longo das investigações. Jerônimo disse que nenhuma relatou imaginar que o crime pudesse estar sendo planejado. “Não só a família, mas todas as pessoas do círculo de convivência, ninguém tinha ideia do que poderia acontecer porque ele nunca exteriorizou nenhuma intenção”.

 

As autoridades ainda apreenderam objetos na casa do rapaz, incluindo um computador com várias fotos e vídeos de violência. O inquérito da Polícia Civil será encaminhado ainda nesta sexta-feira ao Ministério Público.“Ele tinha absoluta consciência do que fez”, concluiu o delegado.


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