Mais 14 trabalhadores são resgatados em plantação, vítimas de trabalho análogo ao escravo

Grupo é natural do Nordeste do país e foi trazido ao estado catarinense com uma promessa de emprego temporário

Por Oeste Mais

11/09/2020 15h40 - Atualizado em 11/09/2020 15h40



Quatorze trabalhadores foram resgatados em uma plantação de cebola em Ituporanga, no Vale do Itajaí, vivendo em situação de trabalho análogo ao escravo. As vítimas foram localizadas por auditores-fiscais do trabalho do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) durante uma fiscalização entre os dias 1º e 4 de setembro. Em agosto, outras nove pessoas foram resgatadas em situação semelhante em outra propriedade da mesma cidade.

 

De acordo com a Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae), as circunstâncias do caso configuram crime de tráfico de pessoas. Os trabalhadores são naturais da região Nordeste do país e foram trazidos a Santa Catarina para uma proposta de emprego. Uma das pessoas resgatadas é menor de idade, o que inclui também o crime de trabalho infantil.

 

Após o resgate, seis das 14 vítimas conseguiram emprego em outra cidade do estado. Para os outros, foi solicitado o seguro-desemprego de trabalhador resgatado. Eles receberam passagens para retornar ao estado de origem, além de alimentação e itens de higiene.

 

Esquema de tráfico de pessoas

 

A suposta proposta de emprego temporário era divulgada em carros de som que circulavam pelo sertão nordestino. No anúncio, era prometido aos trabalhadores três meses de carteira assinada, com alimentação, moradia e salário de R$ 100 a R$ 150 por dia.

 

Fazendeiros catarinenses encomendavam a motoristas e proprietários de ônibus que trouxessem ao estado pessoas para trabalhar no plantio e colheita de cebola. Os patrões pagavam adiantado o transporte deles, mas cobravam depois dos próprios trabalhadores em forma de serviço.

 

A viagem durava quase uma semana. Conforme apurado pelo Detrae, após o deslocamento, e endividados pelos gastos do transporte, os trabalhadores eram avisados que a carteira de trabalho não seria assinada e que os gastos com alimentação também seriam descontados dos salários.

 

Os mantimentos necessários para sobrevivência das vítimas também eram comercializadas pelo próprio empregador, de forma modo que os trabalhadores continuavam a se endividar durante a própria prestação de serviços.

 

Os casos são investigados pela Polícia Federal. Se condenados, os criminosos podem cumprir pena de dois a oito anos de prisão, além de multa.

Com informações do G1


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