Governador do RJ é alvo de operação da PF sobre desvio de verbas no combate à Covid-19

Operação Placebo busca provas em 12 endereços, incluindo o Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador Wilson Witzel

Por Oeste Mais

26/05/2020 08h36 - Atualizado em 26/05/2020 10h19



Polícia Federal no Palácio Laranjeiras (Foto: Reprodução/TV Globo)

A Polícia Federal (PF) iniciou na manhã desta terça-feira (26) a Operação Placebo, sobre suspeitas de desvios na Saúde do RJ para ações na pandemia de coronavírus. São 12 mandados de busca e apreensão -- um deles no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador Wilson Witzel (PSC).

 

Witzel e a esposa, Helena, são alvos da operação, autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) – responsável por ordenar ações contra governadores.

 

Há 15 dias, o Ministério Público do RJ comunicou a Procuradoria Geral da República sobre citação a Witzel nas investigações. Equipes também foram mobilizadas para a casa onde Witzel morava antes de ser eleito, no Grajaú, e no escritório de advocacia do governador, que é ex-juiz federal.

 

Witzel negou participar de qualquer esquema. “Não há absolutamente nenhuma participação ou autoria minha em nenhum tipo de irregularidade nas questões que envolvem as denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal", afirmou em nota.

 

"Estranha-me e indigna-me sobremaneira o fato absolutamente claro de que deputados bolsonaristas tenham anunciado em redes sociais nos últimos dias uma operação da Polícia Federal direcionada a mim, o que demonstra limpidamente que houve vazamento, com a construção de uma narrativa que jamais se confirmará. A interferência anunciada pelo presidente da República está devidamente oficializada", defendeu.

 

"Estou à disposição da Justiça, meus sigilos abertos e estou tranquilo sobre o desdobramento dos fatos. Sigo em alinhamento com a Justiça para que se apure rapidamente os fatos. Não abandonarei meus princípios e muito menos o Estado do Rio de Janeiro", finalizou o governador.

 

Atrasos e suspeitas

 

O governo do estado anunciou R$ 1 bilhão para o combate à Covid-19. A maior parte desse orçamento (R$ 836 milhões) foi destinada para o Iabas em contratos emergenciais, sem licitação.

 

As obras de seis das sete unidades do governo do RJ estão quase um mês atrasadas — somente a do Maracanã está operando e uma ala foi “inaugurada” nesta sexta.

 

Em entrevista ao RJ2, o secretário estadual de Saúde, Fernando Ferry, afirmou que alguns desses hospitais podem não ser entregues. O governo Witzel já pagou um terço do valor acertado com o Iabas.

 

“A gente está vendo que, gradativamente, está diminuindo o número de casos. Isso faz parte da epidemia. Se a gente perceber que isso vai continuar, a gente vai deixar de construir as unidades, e o valor será devolvido para o Erário”, disse Ferry.

 

Desse montante — e antes de ter recebido o primeiro leito dos sete hospitais contratados —, o estado já tinha adiantado R$ 256 milhões, em três levas: Uma de R$ 60 milhões, paga em duas vezes, nos dias 13 e 15 de abril, sem especificação de onde seria o usado o dinheiro; Uma de R$ 68 milhões, para pagar respiradores e finalização da montagem dos hospitais; E outra parcela, no valor de R$ 128,5 milhões.

Com informações do G1


COMENTÁRIOS

Os comentários neste espaço são de inteira responsabilidade dos leitores e não representam a linha editorial do Oeste Mais. Opiniões impróprias ou ilegais poderão ser excluídas sem aviso prévio.