Viver ou durar: que tipo de velhice você pretende ter?

Por Jaime Folle

11/10/2019 10:02



Estamos passando por um envelhecimento da população, e isso vem preocupando demais, não somente as autoridades de saúde, previdência, assistência social, mas principalmente as famílias onde os idosos vivem.

 

Viver uma idade avançada, é muito bom! O problema é que mais de 85% dos idosos não vivem, apenas duram. E isso é um grande transtorno, não somente para eles, mas para seus familiares e os demais segmentos da sociedade.

 

Tenho ouvido comentários de filhos e netos, dizer com orgulho: o meu pai ou meu avô já passou dos oitenta anos! Porém poucos que convivem de fato com uma pessoa idosa têm noção o que é a diferença entre o viver e o durar. Quem falar bem destes idosos que apenas duram são aqueles que nunca conviveram com um deles.



As famílias que têm dentro de casa um idoso ou uma idosa que apenas está durando, sabem o transtorno que ele traz! Atrapalham a rotina e o relacionamento tanto interno como externo e envolvem no mínimo mais cinco pessoas ao seu redor.

 

Estar com uma idade avançada, com saúde, discernimento, boa memória, onde o idoso se arruma sozinho, não depende de ninguém, é muito bom! Pois trata-se de um idoso que vive. O problema é que menos de 15% conseguem fazer isso e viver bem acima dos oitenta anos! A maioria vegeta uma vida precária, dificuldades de locomoção, precisam de cuidados especiais, envolvem quase toda a família, vivem de uma clínica para outra e assim vai. Além do alto custo de manutenção.

 

Os idosos que hoje vivem bem é porque se cuidam, ou se cuidaram no passado, têm uma mente mais alegre, são independentes, a maioria mora sozinho, namoram, brincam e tudo ao seu redor fica melhor. Já os idosos que duram, fazem tudo ao contrário: são chatos, reclamões, não gostam de brincadeiras, só falam em doença, remédio, problemas de família, e muito mais. Além disso, não respeitam nem os seus familiares e muito menos s outros.

 

Eu sei que muitos que estão lendo esta coluna podem estar achando um exagero de minha parte, mas estou retratando uma grande realidade que o mundo está vivendo e poucos têm coragem de falar. Principalmente aqui no nosso país, onde os velhos que duram são despejados por seus familiares em casas e abrigos, por não aguentarem mais conviver e mantê-los junto.

 

“Um pai cuida dez filhos, dez filhos não cuidam um pai”. Porém, os velhos que apenas duram poderiam ser um pouco mais elegantes com os que vivem ao seu redor. E os familiares poderiam ser um pouco mais preparados para cuidar de seus velhinhos.

 

Pensemos em nossos idosos durante esta semana, se eles estão vivendo ou durando.

 

Até a próxima!


Jaime Folle

Colunista

Formado em empreendedorismo, é um dos mais renomados palestrantes do Sul do Brasil. Está na área desde 2005. É também escritor de vários livros.

jaimefolle@jaimefolle.com.br


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