Um dia também terei meus passos curtos

Por Jaime Folle

18/11/2018 10:32


Nas complexas relações familiares é comum que os filhos tentem controlar a vida dos pais envelhecidos, e isso me levou a pensar e a me questionar sobre a capacidade dos velhos diante da idade.

 

O grande erro do ser humano é não se preparar para a velhice e o tempo que passa, quando mal percebemos estamos caminhando com passos curtos e a voz vai ficando rouca e baixa. A vida não é justa com os velhos, pois quem comenta que estar com setenta ou oitenta anos é sinônimo de felicidade está mentindo para ele mesmo!

 

Há casos de abandono afetivo e material para com os velhos, e esta história de viver a melhor idade é uma utopia para esconder da realidade a vida como ela é. Muitos pensam que sabem tudo, porém nem sonham que, se tiverem sorte para chegar aonde uma pessoa idosa chegou, vão também andar devagarinho e dizer. Que saudade dos vinte anos!



Pior que envelhecer é aprender a lidar com o desprezo de amigos e até dos filhos, por isso se você já passou dos sessenta organize seus passos agora se não quiser sofrer muito quando começar a encurtá-los após os oitenta. “Se um dia eu descobrir quem foi o infeliz que inventou essa história de melhor idade, eu dou um soco no meio da cara dele!”.

 

O mundo não é grato aos velhos pois associa o envelhecimento à doença, não permitindo que os idosos façam escolhas que todos deveriam ter o direito de fazer as coisas que mais gostam. Temos que estar atentos para evitar que idosos vulneráveis sejam vítimas de pessoas e agentes de mercado mal-intencionados, mas é preciso garantir sua autonomia para não os anular do convívio da sociedade e de fazer aquilo que mais gostariam de fazer.

 

Por exemplo: colocá-los em prisão domiciliar, regrando tudo o que devem fazer. Não podem comer isso, não pode comer aquilo, passamos a cuidar dos velhos como crianças. Quando o velho vai a um médico, eles mandam comer salada, caminhar e beber água. Olha se isso tem graça? Nenhum médico manda comer o que gosta, tipo: picanha, bacon, peixe frito!        

 

Pois bem. Salve os velhos, deixem viverem do seu jeito, com seus passos curtos, porque um dia você também vai chegar lá e se não quiser chegar, é só morrer antes.

 

Até a próxima!


Jaime Folle

Colunista

Formado em empreendedorismo, é um dos mais renomados palestrantes do Sul do Brasil. Está na área desde 2005. É também escritor de vários livros.

jaimefolle@jaimefolle.com.br


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