Presentes, mas ausentes: os tempos são novos, mas o abraço ainda é a melhor forma de afeto

Por Jaime Folle

17/08/2019 08:41



Hoje construímos carros que estacionam sozinhos; construímos satélites para explorar o espaço; construímos prédios que até falam e giram conforme o sol. Porém, não conseguimos fazer nada que possa substituir um abraço humano.

 

São mudanças fatais que estão acontecendo e mudando radicalmente a concepção social dos seres humanos e suas relações de afeto, amor e carinho, onde o sexo passou a ser uma máquina de prazer e não de compromisso e amor, a amizade virou negociação comercial ou econômica, e a comunicação dentro da família faz as pessoas estarem presentes, mas ausentes.



Vemos um mundo de gente se comunicando com outro planeta e sequer dão um oi para um pai e uma mãe, e vice-versa. Essa clássica divisão dos seres, “presentes, mas ausentes”, está dividindo a humanidade em duas correntes, uma na linha vertical e outra na linha horizontal, sendo que os mais velhos foram educados com um forte sentido de relação direta, o chamado corpo a corpo, com respeito à hierarquia, relações mais interpessoais, gostam do abraço e do aperto de mão, são mais presentes. Por isso, são verticais. Já os mais novos estão na linha horizontal, sem muita preocupação com as relações interpessoais, preferem falar ao celular com pessoas distantes do que conversar com quem está próximo. Tem longe os que estão perto e perto os que estão longe. São os ausentes presentes.

 

Os tempos são novos, mas o abraço é antigo e ainda a melhor forma de comunicação e afeto, jamais vai mudar em nosso relacionamento, tanto na família como na sociedade.

 

Porém, existe uma repulsa sobre este tipo de afeto. Quando gostamos de alguém, seja um “gostar” amoroso ou em um nível de amizade, é normal a gente demonstrar isso por meio do nosso corpo. Claro que a expressão dos sentimentos por meio das palavras e atitudes é natural e muito importante, mas o corpo também faz transparecer nossas emoções, de maneira consciente e inconsciente.

 

Estas situações têm mudado muito nos últimos tempos e a sociedade está passando por uma grande transformação, trocando a base emocional e afetiva por uma base mais mecânica e sem muito sentimento.

 

Por isso, é comum ver as pessoas presentes e ao mesmo tempo ausentes.

 

Até a próxima!


Jaime Folle

Colunista

Formado em empreendedorismo, é um dos mais renomados palestrantes do Sul do Brasil. Está na área desde 2005. É também escritor de vários livros.

jaimefolle@jaimefolle.com.br

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