Preconceito e racismo: problema é estrutural e não conjuntural

Por Jaime Folle

31/05/2019 08:12



O Brasil foi o último país da América do Sul a abolir a escravidão no ano de 1988, através da Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel. Porém, após a abolição, nenhum direito foi garantido aos negros. Eles ficaram à mercê de seus patrões, sem acesso a terra e a qualquer tipo de indenização ou reparo por tanto tempo de trabalho forçado. Quase todos permaneceram nas fazendas em que trabalhavam ou tinham como destino o trabalho pesado e informal, pois sem cultura e sem dinheiro eram obrigados a se manter sob o julgo dos seus patrões para poder sobreviver.

 

O racismo estrutural é de difícil mudança, porque está na estrutura da concepção. Essa forma de racismo tende a ser ainda mais perigosa por ser de difícil percepção. Trata-se de um conjunto de práticas, hábitos, situações e falas quase que diárias, citando o negro como elemento fora do contexto social, tipo: isso é trabalho de preto, é coisa de macaco, vou te pôr na senzala, etc. Sem falar nos mais pesados. Estas citações estão embutidas em nossos costumes estruturais e promovem, direta ou indiretamente, a segregação ou o preconceito racial.

 

Não podemos confundir que preconceito e racismo formam o mesmo grupo, visto que o preconceito pode advir de várias outras diferenças, como gênero, local de origem e orientação sexual. Porém, o racismo é uma forma de preconceito e, como as outras formas, manifesta-se de diversas maneiras, fazendo vítimas todos os dias, de alguém da origem negra.

 

Por mais que hoje tenham leis de proteção contra o racismo, jamais vai terminar em curto espaço de tempo, devido à forte estrutura enraizada no pensamento de milhões de pessoas, que desde a infância praticam atos de racismo até de forma inconsciente e dificilmente mudarão, a não ser que uma câmera em raras ocasiões possa pegar no flagrante, como já aconteceu em estádios de futebol, onde torcedores foram flagrados gritando “macaco, macaco”. Fora isso, o racismo infelizmente vai continuar por muitos e muitos anos, por ser estrutural e não conjuntural.

 

Até a próxima!


Jaime Folle

Colunista

Formado em empreendedorismo, é um dos mais renomados palestrantes do Sul do Brasil. Está na área desde 2005. É também escritor de vários livros.

jaimefolle@jaimefolle.com.br


COMENTÁRIOS

Os comentários neste espaço são de inteira responsabilidade dos leitores e não representam a linha editorial do Oeste Mais. Opiniões impróprias ou ilegais poderão ser excluídas sem aviso prévio.