Não se come dinheiro

Por Samara dos Santos

22/10/2019 15:40 - Atualizado em 22/10/2019 15:50



Não se come dinheiro (Foto: Pixabay)

Olá meu bem, tudo bem?

 

Confesso que essa última semana não tenho estado muito bem não. Há pouco tempo tivemos a tragédia das queimadas no cerrado e floresta amazônica e essa semana fomos bombardeados com a notícia de um vazamento de óleo nas praias do nordeste que não se sabe de onde veio e nem há movimentação política para contenção de danos e punição por esse crime ambiental aos responsáveis.

 

Durante nossa colonização perdemos a maior parte da nossa população local, os indígenas. O que não paramos para pensar diariamente é que com a morte deles perdemos muito em conhecimento local. Por exemplo, o Brasil hoje tem a terceira maior criação de carne de porcos do mundo, em Chapecó temos a maior unidade de processamentos de suínos do Brasil, e PASMEM: porcos não são animais nativos brasileiros. Não são NEM latinos. O primeiro registro de porcos no Brasil foi em 1532.

 

O que a população indígena comia antes dos colonizadores chegarem?

 

Há muito pouco estudo sobre isso no Brasil o que nos desconecta muito de nossas origens, porque apesar de muitos terem sua descendência europeia que se orgulham tanto, se você nasceu aqui você não passa de um brasileiro como outro qualquer em qualquer lugar do mundo. Vivemos anos das nossas vidas sem nos questionarmos de onde vem o que nos alimenta e nos mantém vivos.

O que a população indígena comia antes dos colonizadores chegarem? (Foto: Pixabay)

Hoje não há incentivo suficiente para a pesquisa, o que me leva a crer que continuaremos por muito tempo sem saber o que é realmente nosso e o que nos foi imposto anos atrás e hoje nem conseguimos diferenciar mais enquanto nação.

 

Óbvio que o que torna o Brasil tão rico também é essa mistura de povos, mas cadê nossa identidade? Qual planta alimentícia é originária da sua região? O que você come na sua rotina vem de onde?

 

Esses desastres que nós mesmos causamos a partir da irresponsabilidade com nosso meio ambiente me faz pensar em como a falta de conhecimento nos afasta do que é realmente nosso. Esse afastamento nos faz esquecer que só vivemos aqui porque as condições climáticas e a possibilidade de nos alimentarmos existe.

 

Até quando vamos continuar nos envenenando com agrotóxicos desnecessários? Até quando a produção industrial vai interferir nas condições climáticas? Quanto tempo nós vamos demorar a perceber que o planeta vai se modificar e se adaptar às novas condições, mas que nós não vamos?

 

Quanto tempo até percebermos que não se come dinheiro?


Samara dos Santos

Colunista

26 anos e carioca. Gastrônoma de formação, mas confeiteira por amor. Trabalhou em vários eventos de confeitaria pelo país e com chefs internacionalmente reconhecidos. Está aqui para falar de gastronomia e alimentação de forma simples e descomplicada.

sahmrsantos@gmail.com


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