Empregado ou colaborador?

Por Jaime Folle

17/05/2019 08:49 - Atualizado em 17/05/2019 08:49



O que é certo ou o que é errado nestas expressões onde se usa muito, hoje, o termo “colaborador” ao invés de “empregado”?

 

São termos usados a partir de 1990, onde alguns especialistas em marketing e recursos humanos da era capitalista, dentro do domínio competitivo, começaram a utilizar uma lógica em que um trabalhador dentro da empresa não seria na verdade um operário, empregado, etc, e sim um colaborador, uma forma de elevar o ego dos funcionários a uma escala um pouco superior, um tipo de cargo fictício, de prestígio interno e que deixaria o funcionário mais gratificado pelo seu trabalho. Tipo inventaram as diferenças de chefe e líder.



Ser colaborador não é ser empregado ou peão, A expressão dá ao funcionário um status quase equivalente ao de dono da empresa, mesmo que não seja.

 

Na verdade, é uma estratégia de domínio afetivo da organização, pois o colaborador faz parte do contexto, tirando dele o carimbo de funcionário e outros adjetivos, com isso, muitas arestas de conflitos seriam cortadas pelo simples fato de ser um integrante do grupo e não mais qualquer um dentro da organização que funciona para ganhar seu dinheiro.

 

Para os olhos da empresa, é alguém pago para executar tarefas, porém, para evitar a distância entre o patrão e o empregado dos tempos modernos, utiliza-se a expressão “colaborador”, que é melhor do que ser chamado de peão, empregado ou funcionário.

 

Este título de colaborador não dá direitos ao funcionário, pois para ser um colaborador, ele deveria cooperar, e não poderia receber pela colaboração, ou então, que fosse uma doação espontânea como forma de gratificação por parte da empresa.

 

Portanto, a expressão “colaborador” não estaria correta do ponto de vista tradicional. Para efeito de motivação, é uma forma de emparelhar as hierarquias dentro da empresa e, assim, tornar o empregado reconhecido pelos superiores. Mas isso não lhe dá direitos e nem condições de divisão dos lucros muito menos de opinar nas decisões da diretoria.

 

Dentro do contexto na análise tradicional, é errônea a expressão “colaborador”, pois virou um modismo nos últimos anos, já que em outros países já reinventaram a expressão, que passou de “colaborador” para “capital humano”. Não deixa de ser uma estratégia válida: melhor ser colaborador do que ser empregado.

 

Até a próxima!


Jaime Folle

Colunista

Formado em empreendedorismo, é um dos mais renomados palestrantes do Sul do Brasil. Está na área desde 2005. É também escritor de vários livros.

jaimefolle@jaimefolle.com.br


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