Embriagado pelo trabalho: dê a si mesmo uma oportunidade de viver

Por Jaime Folle

12/07/2019 08:02



Muitos homens e mulheres são prisioneiros do trabalho, estão presos em demasia, com horas sem fim, dedicados aos resultados, por consequência, ficam mais frágeis do que uma criança, presos a uma vida de orgulho de suas angústias. São pessoas carentes de elogios, dominadas pelo seu mundo interior e que, para serem reconhecidas, usam o trabalho como forma de mostrar sua superioridade e poder. Para isso, mostram-se supertrabalhadores, superfuncionários, supergerentes, superprofessores. E quem paga o alto preço é a família.

 

Dominar pela força e chorar em segredo. Ainda que parcialmente, a energia emocional vai falar mais alto na mente daqueles que, externamente, se mostram gigantes e fortes, mas que no recolhimento do seu silêncio são dominados por suas fraquezas e fragilidades. Muitos choram e se angustiam quando se sentem só.

 

Presidentes dominam países, empresários e executivos coordenam grandes empresas multinacionais, mas não conseguem administrar suas próprias emoções. Bravos guerreiros venceram fortes batalhas, mas perderam a guerra do seu silêncio interior.

 

Tudo isso já começa cedo. Os jovens são doutrinados e ensinados durante anos a fio a serem gigantes, maior do que sua própria capacidade; aprendem que as metas são o caminho, que superar obstáculos é o canal, tornam suas vidas uma verdadeira competição, angustiante e traumática, não reconhecendo mais seus sentimentos; transformam-se em gigantes do trabalho em lutas com os outros e escondem dentro de si uma fragilidade que os leva em seu silêncio à angústia e à tristeza.

 

O modelo educacional dos tempos modernos não está ensinando a qualidade de viver. Conseguem ensinar como funciona o complicado código genético de nossa formação, mas não conseguem mais ensinar o amor e o convívio em família.

 

Tudo isso está nos levando a sermos verdadeiros gigantes por fora e pequenos por dentro. Podemos vencer no trabalho, mas não conseguimos vencer a frustração de não ter uma família e amigos próximos.

 

Qual a saída? Sugiro iniciar pela atitude de mudar a si sem mudar de emprego ou da condição de empresário, dando a si mesmo uma oportunidade de viver.

 

Sempre há tempo para mudar.

 

Até a próxima!


Jaime Folle

Colunista

Formado em empreendedorismo, é um dos mais renomados palestrantes do Sul do Brasil. Está na área desde 2005. É também escritor de vários livros.

jaimefolle@jaimefolle.com.br


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