A cultura da desobediência


Por Jaime Folle

22/06/2022 15h10 - Atualizado em 22/06/2022 15h14



“Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus” (Mt 5,17-19).

 

O Brasil construiu uma história marcada pela falta de representatividade política na qual a grande maioria da sociedade não participou da elaboração das leis e da construção das instituições nacionais.

 

Nos últimos anos, temos percebido as gerações crescendo sem a base de uma cultura, onde tudo é permitido e nada mais é proibido, que apesar das leis e dos controles das diversas instituições, é comum filhos não obedecerem a seus pais, empregados não respeitarem e obedecerem a seus superiores, e o comprometimento estar esquecido há muito tempo.

 

O Brasil construiu uma história marcada pela falta de representatividade na qual a grande maioria da sociedade não possui a cultura da obediência. Ademais, a cultura de transgressão de leis é facilitada pela cultura da impunidade. Inúmeros casos de tráfico, corrupção, desvios de verbas e lavagens de dinheiro são constantemente revelados pela mídia, e na maioria das vezes, as investigações não levam às devidas punições, com isso, cresce a cada dia a cultura da desobediência.

 

Exemplos desta cultura dá para observar a cada dia. Peguei um táxi e, quando ia colocando o cinto de segurança, o motorista, um senhor muito gentil, por sinal, certamente pensando em ser agradável, disse: “não necessita usar não, por onde vamos, não encontraremos nenhuma blitz”. Deu-me vontade de lhe dizer que não uso o cinto de segurança apenas para me resguardar de uma blitz ou uma multa, mas para minha segurança. Ao pedir uma nota depois do almoço no restaurante, a mulher do caixa me perguntou se seria no valor. Daí perguntei a ela por que deveria ser diferente, e ela me disse que é normal as pessoas pedirem para colocar um valor maior.

 

Infelizmente, no geral parece que não temos nenhuma boa vontade de cumprir as regras. Aliás, parece que existe uma satisfação oculta em desobedecê-las, não importa a sua importância ou utilidade. Ao que parece, estamos sempre procurando uma fórmula para transgredir. Esta é a famosa cultura da desobediência.

 

Até a próxima.

Jaime Folle

Formado em empreendedorismo, escritor de vários livros e um dos mais renomados palestrantes do Sul do Brasil. Atuante na área desde 2005.


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