Você já perdeu uma pessoa querida?


Por Lucas Tarlé

11/09/2020 13h51 - Atualizado em 11/09/2020 13h51



Olá, como você está hoje?

 

Hoje estou muito pensativo sobre a morte, na minha ainda curta carreira como profissional de saúde me deparei com ela algumas vezes. Estou aqui agora para conversarmos um pouco mais sobre o luto e a dor de perder uma pessoa muito querida.

 

O luto é o processo de aprender como viver em um mundo onde aquela pessoa não está mais entre nós. Não é fácil, por vezes dói, a tristeza vem principalmente em momentos que nos lembra da pessoa amada.

 

"Então, Lucas, me diz como posso superar o luto?!"

 

Não vejo como algo a ser superado, não podemos simplesmente ignorar o falecimento de alguém tão próximo e continuar a vida de antes, não existe continuar a vida de antes.

 

Temos que agora aprender a dar um novo significado para a vida, mas não estamos sozinhos nessa, podemos usar todas as coisas boas e ruins que aprendemos ao longo da companhia dessa pessoa para agora encarar o mundo na sua ausência, isso inclusive vai nos ajudar a encarar os novos desafios que estão por vir.

 

Cercar-se de pessoas queridas e lembrar momentos agradáveis que tivemos na presença daquele que se foi também traz conforto e ajuda a criarmos um significado juntos.

 

"Mas nem um calmante doutor?!"

 

O calmante anestesia a vida, é muito mais difícil passar pelo luto quando ignoramos a dor, temos que passar pela dor para entender o quanto aquela pessoa querida significa para nós e com isso dar um novo significado para nossa vida, mesmo com a falta de sua companhia, levamos todas as memórias e aprendizado que tivemos com esta pessoa e isso com certeza nos ajudará a seguir nessa nova realidade.

(Foto: Pixabay)

"Então não é para tomar remédio nenhum?"

 

Depende do caso, eu costumo a dizer que em vários momentos o principal é a "papoterapia", é levar conforto para alguém com coração apertado, é ouvir atentamente cada história e dor. Mas há alguns sinais de alarme, momentos em que devemos procurar ajuda médica, listarei abaixo:

 

• Quando o luto durar mais de 12 meses (ou seis meses no caso de crianças);

 

• Quando a pessoa perde o prazer em atividades que traziam felicidade de forma persistente;

 

• Quando o humor fica deprimido de forma persistente e intensa;

 

• Quando lembrar a ausência do ente querido só traz raiva e rancor.

 

Então se você ou alguém que você conhece esteja com esses sinais de alarme, é aconselhável procurar ajuda médica.

 

Caso uma pessoa querida esteja passando por esse momento de luto, ofereça uma escuta, mas uma escuta de verdade, nesses momentos é muito mais importante ouvir a dor do que oferecer conselhos.

 

Ficou alguma dúvida? Quer compartilhar a sua história? Comenta aí! Espero ter trazido para vocês algumas palavras de compreensão e conforto.

 

Até a próxima!

Lucas Tarlé

Carioca de nascimento, gaúcho do Paraguai e baiano de coração, tem 26 anos, médico formado pela UNIRIO, adora tagarelar sobre ciência e saúde.


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