Será que existe guaco ou existem guacos?


Por Sacha Arielle Branco

11/06/2020 10h31


Olá, tudo bem com vocês?

 

Hoje vamos falar sobre outra planta medicinal, mas como eu percebi que vocês tem um enorme interesse por elas, eu decidi unir forças com outras pessoas que estudam essas plantinhas curiosas para trazer ainda mais conhecimento para vocês! Por isso, o texto de hoje é da bióloga Angela Demétrio, mestranda no Programa de Pós-graduação em Biologia de Fungos, Algas e Plantas, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A Angela estuda uma planta muito interessante e gentilmente aceitou contribuir com a nossa coluna. Mas, eu vou deixar para ela contar que planta é essa. Acompanha  comigo!

Mikania glomerata Brasil, 2018. Ministério da Saúde. Plantas medicinais de interesse ao SUS

Mas então, será que existe guaco ou existem guacos? 

 

Com a aproximação do inverno nada melhor do que se aquecer com uma bebida quente. Melhor ainda se esta bebida estiver acompanhada de benefícios para saúde, certo? Por isso hoje vamos conversar sobre uma planta medicinal que pode auxiliar no tratamento para problemas respiratórios, como gripes e resfriados, tão comuns nos dias frios: o GUACO.

 

Comum nos quintais e hortas, sobre muros e cercas, o guaco possui muita popularidade, pois o seu potencial medicinal já é reconhecido pela ciência. Mas será que existe apenas um tipo de guaco? Como você bem deve desconfiar, não. A natureza generosa que é, disponibilizou várias espécies, as quais chamamos de guaco. As duas mais famosas receberam os nomes científicos de Mikania laevigata e Mikania glomerata. Essas plantas passaram por diversos testes e estudos para comprovar sua eficácia e são elas que nós encontramos no comércio sob o nome de guaco. Porém, as regiões Sul e Sudeste do Brasil são agraciadas também por outras espécies que ainda não têm os devidos estudos químicos e farmacológicos, e, que podem também conter benefícios medicinais e nem sequer sabemos!

 

Por isso, a pesquisadora que vos fala, investiga uma espécie ainda sem reconhecimento científico, chamada de Mikania involucrata ou, como é popularmente conhecida em algumas comunidades de Florianópolis: o guaco-de-antigamente. Este guaco é nativo da Mata Atlântica, aqui no litoral é comum nas regiões de restinga e usado em alguns bairros de Florianópolis também para problemas respiratórios. A pesquisa do meu mestrado além de avaliar a composição química deste guaco, pretende discutir como essa espécie sobrevive em um ambiente tão hostil (salino, seco, com muitos ventos) e o seu possível papel na restinga, um ambiente tão fragmentado e ameaçado de extinção pela especulação imobiliária nos dias atuais. Então ela é uma pesquisa inicial (chamamos de pesquisa básica), depois espero que seja possível uma continuação, com a pesquisa farmacológica, por exemplo.

 

Então, qual sua aposta? Será que o guaco-de-antigamente é tão eficiente para problemas respiratórios como as espécies que já são comercializadas (Mikania laevigata e Mikania glomerata)? Por aqui, torço que sim, que seja mais uma planta para auxiliar nossa saúde, com qualidade e de fácil acesso para a população, mas também é importante compreendermos que em caso negativo, o conhecimento adquirido desta planta é o resultado mais significativo! Porque podemos, por exemplo, indicar que ela não deve ser consumida, se for tóxica.

Mikania laevigata (Foto: Sérgio Bordignon)

Uma ótima passagem pelo inverno para vocês e vamos todos nos aquecer com um bom chá de guaco! Lembrando que, por enquanto, vocês devem utilizar aquele guaco que já tem eficácia comprovada (Mikania laevigata e Mikania glomerata, veja as fotos), combinado?

 

Partes usadas: Folhas e flores

 

Modo de uso: Colocar uma colher (sopa) de folhas picadas em uma xícara de água quente, tampar por dez minutos e beber duas a três xícaras ao dia.

 

Recomendações

 

Não é porque é feito de uma planta que não faz mal! Relembrando uma grande sentença popular: a diferença entre o remédio e o veneno está na dose! São diversos os casos conhecidos por intoxicação devido ao uso inadequado de plantas. Então, recorde-se, menos é mais!

 

Caso esteja em dúvida dos sintomas não se tratarem de um simples resfriado, procure ajuda médica. O seguro morreu de velho: jamais ignore as orientações de um especialista!

Mikania involucrata ou guaco-de-antigamente coletada na praia do Campeche, região sul de Florianópolis (Foto: Angela Demétrio)

E aí, gostaram das informações sobre os guacos? Espero que sim! Tem alguma dica sobre outras plantas? Escreva para mim nos comentários!

 

Fiquem bem e até a próxima!

Sacha Arielle Branco

Nascida e criada no Oeste catarinense. Bióloga, apaixonada por plantas, e mestranda em Biologia de Fungos, Algas e Plantas pela UFSC. Falará sobre temas ambientais diversos de modo simples e descontraído, com a intenção de fazer o leitor pensar sobre temas importantes ligados ao meio ambiente.

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