Ainda não é o fim dos tempos


Por Jaime Folle

03/04/2020 09h36 - Atualizado em 17/04/2020 14h39


“Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinhos. Há outros que sorriem por saber que os espinhos têm rosas”. (Machado de Assis).

 

Quero iniciar esta coluna destacando Machado de Assis. Embora ninguém possa voltar para trás e fazer um novo recomeço, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim. Esta pandemia ainda não vai ser o fim, teremos muita vida e muitos anos pela frente.

 

Apesar de informações desencontradas, brigas dos poderes, de um lado o governo, do outro a grande imprensa, uma coisa é certa: estamos diante de uma pandemia mundial, o que não é motivo para brincadeira, onde precisamos respeitar as autoridades médicas e procurar ser racionais e não passionais.  Aproveitar-se do momento para espalhar o terror, acho que não é uma boa ideia de alguns aproveitadores da ingenuidade humana.

 

Repensar muitas coisas em nosso modo de ser e viver talvez seja o momento certo neste confinamento da casa. Por outro lado, não é um momento apocalíptico, apesar de muitos aproveitadores da ingenuidade fazerem suas profecias focados no Apocalipse e já enxergam o coronavírus como um anúncio da Segunda Vinda de Cristo e do fim da vida na Terra.

 

Se uma pessoa se manteve completamente ignorante a respeito do que a Bíblia diz sobre o fim dos tempos, talvez ela esteja pensando agora: é isso! Acabou! Vou me preparar para o fim e daí corre ao encontro do templo e para sua surpresa as igrejas estão fechadas pelo decreto.

 

Nestes dias de confinamento caseiro pude acompanhar os acontecimentos e selecionar três categorias de humanos.

 

A primeira são os céticos, que não acreditam em nada e tende a duvidar de tudo, dizendo que isso é invenção dos chineses e dos americanos para vender remédios, vacinas, etc.

 

A segunda são os excessivos e exagerados, que acreditam demais, bem ao extremo dos céticos, transformam a epidemia em um pandemônio de cuidados, tomam banho quatro vezes por dia, andam com álcool gel em todos os lugares, fazem do momento um estresse sem igual.

 

A terceira são os equilibrados e ponderados com a situação, que tomam os cuidados necessários, porém sem exageros, ficam no equilíbrio e procuram na medida do possível manter a ordem a calma e passar serenidade aos demais.

 

Não sei em qual das três você se enquadra, porém. Faça da sua casa, talvez pela primeira vez, um lugar onde reina o seu verdadeiro lar, a sua família, ame mais, ore mais e se relacione mais junto com os que lhes são caros. Valores que se perderam nos últimos tempos, e que talvez agora seja o momento apropriado para repensar novamente o nosso modo de viver em família.

 

Até a próxima!

Jaime Folle

Formado em empreendedorismo, é um dos mais renomados palestrantes do Sul do Brasil. Está na área desde 2005. É também escritor de vários livros.

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