Pandemia psicológica: o impacto da peste e das medidas necessárias para impedir sua propagação


Por Jaime Folle

28/03/2020 08h35 - Atualizado em 17/04/2020 14h39


Não sei até quando vai durar este isolamento do coronavírus, porém, uma coisa já deu para perceber, estamos criando uma nova pandemia de efeitos psicológicos, pelo confinamento (que é extremamente necessário). Porém, com esta espécie de cadeia domiciliar, onde não basta a convivência 100% do tempo com a família ou sozinhos, o que não era tão comum, de repente, estamos envolvidos em conversas sem parar uns com os outros, além de uma avalanche de informações através da TV, mídias sociais, que está deixando o povo maluco.

 

O impacto da peste e das medidas necessárias para impedir sua propagação são sentidos na sociedade e na economia, mas também em nossos relacionamentos, onde as medidas de emergência que vêm resultando na permanência das pessoas em suas casas podem ter influência sobre o casal, já temos informações aqui no Brasil onde temos um alto índice de casais em desentendimento pelo excesso de aproximação, e um alto índice de estresse, casos de depressão, pelo isolamento.

 

Segundo a psicóloga Carmen Sánchez Martín, isso muito tem a ver pelo sentir medo e incerteza em um contexto tão desconhecido quanto imprevisível, o que segundo ela é natural: tomando a China como exemplo, lá em fevereiro já havia 42,6% dos cidadãos chineses em sintoma de ansiedade plena e com indícios de depressão em 16,6% dos casos. Na pequena cidade de Dazhou, no Sudoeste do país, mais de 300 casais pediram o divórcio esta semana.

 

Já os casos de ansiedade, estresse, angústia, sensação de medo, vontade de chorar, está atingindo em torno de 42% das pessoas em isolamento, e o que é curioso, a grande maioria em idade entre 25 a 38 anos, a chamada geração Y, que pouco enfrenta os problemas da vida sozinhos e por isso não está sabendo lidar com a situação do isolamento.

 

O medo, seja de contrair a doença ou de ter um desenlace ruim, é uma emoção que pode nos deixar mais desconfiados e em alerta, mas devemos racionalizar e lembrar que os infectados são uma minoria e que, entre os doentes, a imensa maioria consegue se curar. E o que é muito importante ter neste momento, que eu recomendaria a qualquer pessoa nesta quarentena é ter duas coisas sempre em mente: isto teve um começo e vai ter um fim.

 

Às vezes a vida dói, arde, pisa nas nossas expectativas sem a menor consideração. E quando isso acontece, sentimos medo de não sermos bons o bastante para enfrentar os desafios e nos encolhemos. Mas, se eu puder dar apenas um conselho para quem está angustiado é: aja imediatamente, faça tudo que for preciso para ficar de pé novamente. Não deixe que os problemas ou as pessoas intimidem você. Aprenda com seus erros e continue lutando. Faça parte da elite que prefere agir, ao invés de só se lamentar. “O mundo se afasta e dá passagem para quem sabe aonde vai”.

 

Até a próxima!

Jaime Folle

Formado em empreendedorismo, é um dos mais renomados palestrantes do Sul do Brasil. Está na área desde 2005. É também escritor de vários livros.

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