Automedicação: temos mais farmácias que mercados


Por Jaime Folle

13/03/2020 11h45 - Atualizado em 17/04/2020 14h39



Em um país onde a população não é assistida por médicos, se obriga a automedicação, e neste meio surge o paraíso das farmácias. Existem mais farmácias do que mercados, isso quer dizer que se gasta mais em remédios do que em alimentos.

 

Um pobre vivente que tem alguma dor ou problema de saúde, ele deveria antes de se automedicar ir até um posto médico e averiguar o seu problema, receber o diagnóstico e a receita para depois recorrer às farmácias e fazer o tratamento correto. Porém, aqui no Brasil, acontece exatamente o contrário, primeiro ele se automedica e depois procura o médico, isso, quando consegue a consulta.

 

Dirigindo-se ao paraíso das farmácias, ele vai ser muito bem recebido por funcionários bem treinados e acompanhados por farmacêuticos que orientam em qualquer medicação, sem receita médica. O pobre vivente vai comprar sem restrições desde uma simples aspirina até os anti-inflamatórios e antibióticos mais potentes sem necessidade de receita médica. Automedica-se, se intoxica, pode até melhorar e fica tudo bem.  Médico para quê? As farmácias resolvem!



Hoje tem farmácias em todos os cantos! Basta andar alguns metros em uma rua de qualquer cidade, que logo vai encontrar uma. Já para encontrar um mercado precisa andar muito mais, pois estão longe e fora do centro.

 

Para atrair os clientes, as farmácias investem alto em marketing publicitário e visual, com design cheio de luzes e promoções, com plantão e telentrega 24 horas, e acreditem ou não, até com promoção para vender remédios. É um verdadeiro paraíso de incentivo ao consumo desenfreado para a automedicação sem orientação médica! Vendem-se remédios no balcão de uma farmácia como se vendem alimentos em prateleiras de um mercado. E mesmo não satisfeitos com a venda de medicamentos, tem farmácias concorrendo com os mercados e até produtos alimentícios estão vendendo no ambiente farmacêutico.  Tudo para atrair ainda mais os clientes.

 

Por outro lado, o governo alega que não consegue colocar postos de atendimentos médicos suficientes, para atender a grande procura médica e justifica que nas regiões mais carentes, os médicos não querem ir porque reclamam da falta de condições e equipamentos. Porém, não faz nada para impedir a abertura de mais uma farmácia, pois creio que o impacto nos cofres públicos com a arrecadação dos impostos advindo das vendas excessivas de medicamentos é mais atraente do que cuidar da saúde da população intoxicada com a automedicação, abrindo postos médicos que na realidade são custo excessivo.

 

E aí existe um conflito, sendo que de um lado os médicos para atender em regiões carentes exigem equipamentos e condições, que eu acho até excessivas, por outro o governo alegando que há má vontade dos médicos! Nesta briga, quem ganha é o paraíso das farmácias. E quem perde é o pobre cidadão brasileiro, desassistido e intoxicado de remédios sem necessidade.

 

Até a próxima!

Jaime Folle

Formado em empreendedorismo, é um dos mais renomados palestrantes do Sul do Brasil. Está na área desde 2005. É também escritor de vários livros.


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