O tempo passa depressa


Por Jaime Folle

28/02/2020 09h36 - Atualizado em 17/04/2020 14h39



O grande erro do ser humano é não se preparar para a velhice. O tempo passa rápido demais, quando mal percebemos, estamos caminhando com passos curtos e a voz vai ficando rouca e baixa. A vida não é justa com os velhos, pois quem comenta que estar com mais de oitenta anos é sinônimo de felicidade, está mentindo para ele mesmo! Os mais velhos até podem ser os mais sábios. Mas nem por isso devem continuar insinuando com seus feitos do passado no mundo atual, não podemos nos enganar, o sinônimo de maturidade é necessariamente ao envelhecimento.

 

Nas complexas relações familiares é comum que os filhos tentem controlar a vida dos pais envelhecidos, e isso me levou a pensar e a me questionar sobre a capacidade dos velhos diante da idade avançada.



Há casos de abandono afetivo e material para com os velhos, e esta história de viver a melhor idade é uma utopia para esconder da realidade a vida como ela é. Muitos pensam que sabem tudo, porém, nem sonham que, se tiverem sorte para chegar aonde uma pessoa idosa chegou, vão também andar devagarinho e dizer: que saudade da juventude que ficou para trás!

 

Pior que envelhecer é aprender a lidar com o desprezo de parentes, amigos e até dos filhos, por isso, se você já passou dos sessenta, organize seus passos agora se não quiser sofrer muito quando começar a encurtá-los após os oitenta. “Se um dia eu descobrir quem foi o infeliz que inventou essa história de melhor idade, eu dou um soco no meio da cara dele!”.

 

O mundo não é ingrato aos velhos, pois associa o envelhecimento à doença, não permitindo que os idosos façam escolhas que todos deveriam ter o direito de fazer as coisas que mais gostam. Temos que estar atentos para evitar que idosos vulneráveis sejam vítimas de pessoas e agentes de mercado mal-intencionados, mas é preciso garantir sua autonomia para não os anular do convívio da sociedade e de fazer aquilo que mais gostariam de fazer. Por exemplo: colocá-los em prisão domiciliar, regrando tudo o que devem fazer. Não podem comer isso, não pode comer aquilo, passamos a cuidar dos velhos como crianças. Quando o velho vai a um médico, eles mandam comer salada, caminhar e beber água. Olha se isso tem graça? Nenhum médico manda comer o que gosta, tipo picanha, bacon, peixe frito!

 

Pois bem. Salvem os velhos, deixem viverem do seu jeito, com seus passos curtos, porque um dia você também vai chegar lá e se não quiser chegar, é só morrer antes.

 

Até a próxima!

Jaime Folle

Formado em empreendedorismo, é um dos mais renomados palestrantes do Sul do Brasil. Está na área desde 2005. É também escritor de vários livros.


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