Café da manhã: solução ou problema?


Por Reges Costa

04/02/2020 15h58 - Atualizado em 17/04/2020 14h39





Uma abundância de dados suporta uma associação entre pular o café da manhã e maior adiposidade corporal. Isso levou a recomendações para consumir o café da manhã como possível estratégia para alcançar um peso corporal saudável.

 

Essa associação entre o pulo do café da manhã e maior índice de massa corporal (IMC) foi relatada globalmente, principalmente em estudos. Por exemplo, no estudo NHANES (1999 a 2002), 5 mil adultos jovens (idades: 20-39 anos) que relataram consumir café da manhã tiveram 31% menos probabilidade de sobrepeso e 39% menos probabilidade de ter obesidade em comparação com os que pulavam o café da manhã.

 

A associação entre consumo de café da manhã e menor risco de obesidade e ganho de peso é sustentada ainda mais pelos resultados de vários estudos observacionais prospectivos e de longo prazo. Um estudo inglês feito com 6.764 adultos mostrou que consumir o café da manhã foi associado a um peso menor em quase quatro anos de acompanhamento. Entre os adultos jovens (18 a 30 anos), o resultado é ainda mais evidente: os que consumiam o café da manhã ganhavam 1,91 kg a menos de peso do que os que raramente consumiam o café da manhã (<4 vezes por semana).

 

Portanto a realização do café da manhã ou desjejum, contribui para um menor ganho de peso, e ajuda a dividir melhor o consumo de nutrientes durante o dia, sendo de suma importância em uma alimentação saudável e equilibrada.



Comer menos à noite traz benefícios?

 

Comer tarde da noite tem sido associado a um maior risco para a saúde cardiometabólica. Este hábito também está relacionado a maior risco para obesidade. Em estudo, os indivíduos que consumiram 33% ou mais do seu consumo calórico diário à noite tinham duas vezes maior risco de obesidade em comparação com indivíduos que consumiram menos de 33% de seu consumo calórico diário à noite.

 

Além disso, a combinação de comer tarde da noite e pular o café da manhã associou-se a um maior risco de ter a síndrome metabólica entre adultos de 20 a 75 anos. Curiosamente, foram observados efeitos favoráveis do jejum noturno na resistência à insulina em mulheres que paravam de comer antes das 18 horas e assim prolongavam a duração do jejum da noite.

 

O impacto dos horários das refeições, particularmente relacionados ao jantar, merece estudos mais aprofundados. As recomendações de limitar o consumo alimentar após as 18h ou 19h parecem ser interessantes para pacientes com resistência à insulina e com sobrepeso. No entanto, devido à complexidade dessa abordagem nutricional, deve-se ter o acompanhamento e prescrição do nutricionista e, eventualmente, o acompanhamento médico nos pacientes com outras doenças.

 

Referências: Circulation. 2017;135:e96–e121. DOI: 10.1161/CIR.0000000000000476.

 

Essa é minha última matéria aqui na coluna nessa temporada. Agora estarei me dedicando a outro projeto, mas nos próximos meses voltaremos com novidades sobre alimentação e atividade física.

 

Grato pela atenção de todos. Até uma próxima!

Reges Costa

Nutricionista especialista em nutrição esportiva. Bacharel em Educação Física e Personal Trainer. Sócio proprietário Performance Academia e Studio.


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