Hoje é dia de ressaca


Por Lucas Tarlé

03/01/2020 13h40 - Atualizado em 17/04/2020 14h39



(Foto: Pixabay)

Olá, como você está hoje?

 

Você acorda com aquela dor de cabeça, um mal estar geral, azia, falta de apetite, moleza generalizada, dor no corpo e lembra "acho que bebi demais ontem". Esses são os sintomas da famosa ressaca ou, como os médicos falam, veisalgia.

 

Se você pensa que os cientistas ficam apenas atrás das bancadas e não entendem nada de festa e bebida, vou mostrar o que a ciência fala sobre a ressaca e como podemos diminuir esses sintomas nem um pouco agradáveis.

 

O que é a ressaca?

 

É considerado ressaca quando o álcool já foi metabolizado pelo fígado (não tem nem uma gota de álcool no sangue) e surgem esses sintomas de mal estar. O que sentimos durante o uso de bebidas pode ser enquadrado em intoxicação aguda por álcool, outro papo pra lá de interessante, mas hoje ficaremos só com o dia seguinte, a ressaca.

 

"Lucas, bebi hoje, vou ter ressaca amanhã?"

 

Complicado, nem toda a vez que botamos o pé na jaca, passaremos mal no dia seguinte, depende de uma série de fatores como a quantidade de bebida, a qualidade da bebida, o próprio organismo, o estado psicológico e muitas outras coisas, você precisa conhecer o seu corpo. Existem pessoas que bebem uma latinha e já estão subindo e dançando na mesa, outras com dez latinhas acordam sem nem se quer com uma dor de cabeça no dia seguinte.

 

A ciência fala, no geral, que uma pessoa de 80 kg tem ressaca após consumir 120 gramas de álcool, o que dá aproximadamente dez a 12 doses padrão. Uma pessoa de 60 kg vai passar mal no dia que se segue após sete a nove doses padrão. Uma dose padrão corresponde a uma lata de cerveja (350 ml) ou a uma taça de vinho (150 ml) ou a 45 ml de destilado (vodca, cachaça, uísque). Faz as contas ai, já ultrapassou esse limite ou nem precisa para passar mal depois de acordar?

(Foto: Pixabay)

"Tá certo, já estou com dor de cabeça com essa conversa... todo o mal estar vem da onde?!"

 

Calma, isso ainda é motivo para briga de bar entre os pesquisadores, mas vou enumerar algumas coisas.

 

A) Na ressaca, o álcool dá lugar ao acetaldeído

 

O nosso fígado vai ser o órgão encarregado de limpar a festa completa, ele vai pegar todo o álcool consumido e transformar em acetaldeído. Esse composto fica circulando no sangue contribui para o mal estar, enjoo, vômito e sudorese. Com o tempo, o acetaldeído vai sendo metabolizado também e esses sintomas melhoram.

 

B) Álcool desidrata

 

Já ouviu falar nisso? Como um líquido pode desidratar alguém? Durante a bebedeira ele inibe um hormônio bem importante do nosso corpo, o Hormônio Anti-Diurético, como o nome já diz, ele dá uma segurada no xixi, absorvendo a água antes de sair na urina, o álcool corta a ação desse hormônio, fazendo você ir várias vezes no banheiro e tirar bastante "água do joelho". A desidratação, depois de perder esse tanto de água, causa sintomas como boca seca, fraqueza e sede. Por esse motivo, é muito bom se hidratar bem, se você é gordinho (a) que nem eu e pesa 80 kg, o ideal são 12 copos de 200 ml e ainda mais um pouco para repor o que perdeu, não se esqueça das frutas com alto teor de água, também podem te ajudar.

 

C) Inchaço pós-bebida

 

Há o aumento de um hormônio chamado aldosterona durante e ressaca, esse danado é responsável pela retenção de água no organismo, isso vai fazer você ficar mais inchada (o) e ainda aumentar a pressão.

 

D) O álcool causa indigestão

 

O álcool irrita a mucosa do estômago e deixa ele trabalhar de forma mais lenta diminuindo o apetite e causando desconforto. Comer alimentos mais leves e pequenas porções várias vezes ao dia diminui esse desconforto.

 

E) Dor de cabeça

 

Durante a ressaca, há o aumento do nível de substâncias inflamatórias que vão causar, principalmente, a famosa dor de cabeça. Medicamentos para dor como dipirona e outros para enxaqueca como triptanos podem ajudar, sempre depois de ter conversado com seu médico. Chás que reduzem inflamação como da erva-baleeira (link com a sasha) também são bem vindos, mas sempre de olho nas doses que podem ser tóxicas ao organismo.

Cena do filme Se beber não case (Foto: Divulgação)

Quer saber o que realmente dá jeito?

 

A prevenção, como sempre, é o melhor remédio. Conhecer o seu limite e não ultrapassá-lo vai fazer você acordar muito bem no dia seguinte e ainda assim ter ótimas histórias para contar.

 

Vale ressaltar que ainda não acharam o remédio perfeito para ressaca, algo que funcione para todos, então cada pessoa tem uma receita para diminuir os sintomas, conta aí, qual é a sua? A minha é evitar barulho e beber bastante água.

 

Estas foram algumas curiosidades sobre a ressaca, ficou com dúvida, gostou, odiou ou quer saber mais? Comenta aí embaixo.

 

Como indicação de hoje fica a trilogia "Se beber não case", uma comédia mostrando um dia nada comum de ressaca.

 

Tem também na Netflix o documentário "the truth about alcool", um médico bom de copo procura sobre os malefícios e benefícios do álcool entrevistando muitos conhecedores do assunto.

 

Muito obrigado pela atenção, até a próxima!

Lucas Tarlé

Carioca de nascimento, gaúcho do Paraguai e baiano de coração, tem 26 anos, médico formado pela UNIRIO, adora tagarelar sobre ciência e saúde.


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