Alto consumo de açúcar tem relação com aumento do risco de doenças cardiovasculares


Por Reges Costa

17/12/2019 14h31 - Atualizado em 17/04/2020 14h39





Estudo de Harvard aponta para a correlação. Há também maior perigo de hipertensão arterial, inflamação crônica e doença hepática, além de diabetes e obesidade.

 

Açúcar refinado, demerara e mascavo: o ideal é evitar os três, mas quanto menos refinado, menos prejudicial à saúde!

 

A correlação do consumo de açúcar com diabetes e obesidade (ganho de peso) já está muito bem estabelecida. Entretanto, estudo de Harvard publicado no JAMA, em 2014, por Dr. HU e colaboradores mostrou correlação também entre o alto consumo de açúcar e alto risco de doenças cardiovasculares, aumento da pressão arterial, inflamação crônica e doença hepática.

 

Não estamos falando do açúcar naturalmente presente nos alimentos como frutas, verduras, legumes e grãos. A questão é a adição de açúcar e alimentos industrializados, como refrigerantes, bebidas açucaradas, biscoitos, bolos, balas, pães e alimentos ultraprocessados (embutidos, sopas prontas, ketchup...).

 

A recomendação de ingestão é de até nove colheres de chá ou 36 g açúcar por dia.



Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo diário de açúcar deve ser no máximo 5% do valor calórico total da dieta. Outros "derivados" de açúcar estão presentes no preparo de alimentos, atenção à leitura de rótulos para identificar esses açúcares: xarope de milho, dextrose, maltodextrina, xarope de glicose, malte, frutose, xarope de frutose, lactose, mel, melado...

 

Entre os açúcares, se houver necessidade de adoçar bebidas e para elaboração de receitas, utilize açúcar mascavo ou demerara. Evite refinado ou cristal. Entenda:

 

Mascavo: é o açúcar bruto da cana de açúcar, que não passou por nenhum tipo de refinamento, conservando vitaminas do complexo B e minerais como cálcio, ferro, magnésio, cobre, potássio, fósforo. Possui a cor mais escura e sabor mais intenso.

 

Demerara: levemente refinado, apresentando a cor branca/bege. Entretanto não possui adição de produtos químicos, preservando os minerais.

 

Mel e melado também podem ser substitutos para adoçar. Entretanto, utilize sempre na menor quantidade possível.

 

Mel natural: contém pólen da abelha, propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e antibióticas. Composto por açúcares (em torno de 70 a 80%), predominantemente a glicose e a frutose, carboidrato de alto índice glicêmico. É composto por pigmentos carotenoides e flavonoides e, em menor quantidade minerais, vitaminas. Pode ser um substituto de géis de carboidratos para a prática esportiva, em atividades acima de uma hora: 30 g de mel (2 colheres de sopa) = 24 g de carboidrato.

 

Melado: forma líquida, é extraído diretamente da cana e tem forte poder de adoçar. Rico em cálcio, ferro, magnésio, potássio, cobre e zinco. Pode ser levado ao fogo sem perder suas propriedades benéficas à saúde.

 

Adoçantes substitutos ao açúcar: xilitol, eritritol, estévia e sucralose.

 

Treine seu paladar para reduzir ao máximo a adição de açúcar ou adoçantes em bebidas ou preparações. Aprenda a apreciar o sabor mais natural dos alimentos.

Reges Costa

Nutricionista especialista em nutrição esportiva. Bacharel em Educação Física e Personal Trainer. Sócio proprietário Performance Academia e Studio.


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