Um devaneio sobre café e minha vida atual


Por Samara dos Santos

26/11/2019 10h17 - Atualizado em 17/04/2020 14h39



Olá meu bem, tudo bem?

 

Já vou começar o texto pedindo desculpas, porque deixei vocês sem essa maravilha de coluna na semana passada. Eu sei que vocês morreram de saudade, mas agora tá tudo certo para falarmos do motivo da minha ausência: café!

 

Por essa vocês não esperavam né?! Pois é, desde janeiro desse ano eu trabalho para uma distribuidora de cafés aqui no Rio e é uma loucura para mim pensar como o mundo dá voltas. Meu avô veio de Minas Gerais, de uma cidade cercada por cafezais e hoje estou aqui no Rio de Janeiro conhecendo um universo que nunca tive muito interesse e por isso nunca soube o quão vasto era.

 

Nunca tive interesse no café, porque nunca fui de beber café. Não sou a pessoa que toma café para acordar, ou depois de uma refeição, ou até para espantar o sono da tarde. Quando entrei na empresa foi uma mistura de sentimentos de que sabia que precisava desse emprego financeiramente falando, mas ao mesmo tempo sentia que estava deixando um sonho de lado. A confeitaria é muito ampla e construída através da prática, mas ainda é muito pouco valorizada. Nunca imaginei que o café me traria tanto conhecimento e me faria descobrir habilidades que nem sabia que tinha.



Descobri o que o mundo inteiro já sabia, menos nós brasileiros. O café do Brasil é de altíssima qualidade. Nós somos o maior produtor de café do mundo e o segundo maior consumidor, mas ainda sim, consumimos o lixo da indústria porque desconhecemos esse universo.

 

O café aqui no Brasil é regulamentado pela ABIC – Associação Brasileira da Indústria de Café e lá os cafés são qualificados, em ordem de qualidade do menor para o maior, entre extraforte, tradicional, superior e gourmet. Os testes feitos para essa qualificação são vários e o mais científicos possíveis, desde a certificação da plantação do café até ele pronto para ser consumido moído na sua casa. São caracterizados pelo aroma e intensidade da bebida adquirida a partir do grão como acidez, amargor, corpo, adstringência, fragrância do pó, presença de grãos defeituosos e muitas outras características que um grão tão pequeno pode ter.

 



A vida por algum motivo me colocou nesse lugar e confesso que descobri o quanto eu gosto de ensinar as pessoas sobre assuntos que parecem tão rotineiros e cotidianos. Nunca é só comida ou só um café, existe toda uma cadeia produtiva por trás e quando você conhece essa cadeia é o primeiro passo para valorizar o produto final.

 

Agora me conta aqui nos comentários se você é do tipo que gosta de procurar cafés diferentes no mercado ou só bebe para se manter acordado depois do almoço. Aproveita e me conta se você quer saber mais sobre esse assunto que é tão amplo que eu poderia escrever até ano que vem sobre ele.

 

Aliás, se estiverem algum dia pelo Rio e quiserem conhecer um pouco mais sobre confeitaria e café me manda uma mensagem lá no meu instagram, @sahmrsantos, e vamos trocar conhecimentos. Se você não tem nenhum plano de vir ao Rio, pode ficar tranquilo que eu tenho planos bem legais para vocês aí do Oeste Catarinense.

 

Um beijinho e até semana que vem. ;)

 


Samara dos Santos

27 anos e carioca. Gastrônoma de formação, mas confeiteira por amor. Trabalhou em vários eventos de confeitaria pelo país e com chefs internacionalmente reconhecidos. Está aqui para falar de gastronomia e alimentação de forma simples e descomplicada.


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