Relacionamentos podem chegar ao fim, preservemos os filhos!


Por Márcia Ferreira Alves Pereira

19/11/2019 11h40 - Atualizado em 17/04/2020 14h39


Existem assuntos que são tão óbvios, mas que mesmo assim precisam ser colocados em discussão! Quando os pais se separam, como ficam os filhos na história?

 

Está aí um tema bem delicado, que muitas vezes não é tratado de maneira saudável e harmoniosa por quem está vivendo ou já viveu tal realidade.

 

É bem verdade que muitos dos relacionamentos, por mais que iniciem com a pretensão de não acabar, desgastam-se pelas mais diversas razões, de maneira que o término dessas relações se dá de forma árdua, o que reflete sobremaneira nos filhos.

 

Neste viés, a entidade familiar, em seu contexto histórico, passou por muitas mudanças, a legislação, caminhando atrás, também se adaptou à formação de novos modelos de famílias, vez que hoje o instituto casamento não se restringe ao civil necessariamente, aliás, a união estável é tão ou mais comum que o primeiro, equiparada juridicamente.



O fato é que, independentemente de como é formada a união e constituída a família, o reflexo que atinge os filhos no momento da separação é o que preocupa, ainda mais quando não há entendimento, quando o fim do relacionamento vem carregado de mágoas e ressentimentos entre o ex-casal, mas, nunca é demais lembrar, sempre pais!

 

Lidar com uma separação nem sempre é fácil para os adultos, não é difícil então imaginar o quão dolorido é para os filhos, sejam crianças ou já adolescentes, eis que a figura do pai e da mãe é para eles a mais importante que existe, em quem depositam a total confiança e entregam todo o amor que carregam.

 

Ao passo que o relacionamento dos pais não mais se sustenta, a condução desarmoniosa deste faz com que os filhos vejam a aliança se quebrar, o que se percebe então, que é neste momento que muitos problemas surgem, porque se o pai e a mãe não mais se entendem, não dialogam, o filho fica no meio do conflito, reprimindo sua demonstração de sentimento por um por medo de magoar o outro, eis que ambos são muito importantes para ele.

 

Sem falar nos casos em que ultrapassam o mínimo bom senso, eis que não é difícil nos depararmos com crianças que desenvolvem problemas psicológicos, puramente de cunho emocional, seja por ouvir críticas do pai para em relação à mãe ou vice-versa, isso fere a estabilidade e o crescimento saudável da criança, sem olvidar que ocorrências desta natureza, caracterizada a chamada alienação parental, são condutas criminalizadas.

 

É compreensível também que para os pais não é fácil administrar os sentimentos que permeiam uma separação litigiosa, no entanto, o que deve prevalecer é a consciência de que o “casamento” se difere da paternidade/maternidade, uma vez que não são os filhos que conduzem a continuidade ou fim de um relacionamento, mas são eles o fruto deste e o elo para a vida toda.

 

Ver ex-casais que se adaptam às novas realidades, seguem suas vidas com outros pares ou sozinhos e continuam mantendo a proteção, cuidado e amor pelos filhos não deveria ser exceção, mesmo porque se o filho sente segurança com o pai e com a mãe ele também se adéqua ao novo contexto, seja em dois lares, seja com os novos companheiros dos pais.

 

Assim, tão importante quanto saber diferenciar que o que pode acabar é o relacionamento dos pais, é preservar a relação com os filhos, proteger e imunizar a criança de eventual conflito que diz respeito somente aos adultos, na tentativa de impedir, desta forma, que o vínculo, carinho, respeito e amor de pais e filhos sejam quebrados junto com o fim da união!

 

Vale refletir!

Márcia Ferreira Alves Pereira

Graduada em Direito pela Unoesc de Xanxerê. Pós-graduada em Direito Processual Civil pela Uninter e pós-graduanda em Direito Processual Penal pela Damásio Educacional. Atualmente, é residente do Ministério Público, na Promotoria de Justiça da comarca de Ponte Serrada.

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