Um pouco sobre a história do Dia das Bruxas

Halloween é mundialmente comemorado no dia 31 de outubro

Por Oeste Mais

31/10/2019 10:17 - Atualizado em 31/10/2019 10:22



Decorações assustadoras são usadas na data (Foto: Pixabay)

Você sabe como surgiu o Dia das Bruxas, também conhecido mundialmente como "Halloween"?

 

Celebrado em 31 de outubro, é um feriado celebrado principalmente nos Estados Unidos, mas, hoje em dia, comemorado em diversos outros países, inclusive no Brasil.

 

O costume de crianças se fantasiarem para sair de porta em porta atrás de doces ou travessuras vem se tornando cada vez mais comum. Espalhar enfeites e adereços assustadores pela casas, escolas e participar de festas a fantasia também tem se destacada ao longo dos anos.

 

No entanto, o que se sabe sobre sua origem pouco tem a ver com o significado moderno que essa festa adquiriu. Acredita-se que ela se deu há muitos séculos, na Europa, com raízes em um antigo festival celta.

 

De onde vem o nome do Halloween?

 

O Halloween tem suas raízes no Reino Unido. Seu nome deriva de All Hallows' Eve, que significa Véspera do Dia de todos os Santos. Mas, uma coisa é o significado de seu nome, outra, completamente diferente, é a origem do Halloween moderno.

 

Como esta festa começou?

 

Desde o século XVIII, historiadores apontam para um antigo festival pagão ao falar da origem do Halloween: o festival celta de Samhain, termo que significa fim do verão.

 

O Samhain durava três dias e começava em 31 de outubro. Segundo acadêmicos, era uma homenagem ao Rei dos mortos. Estudos recentes destacam que o Samhain tinha entre suas maiores marcas, a fogueira, e celebrava a abundância de comida após a época de colheita.

 

O problema com essa teoria é que ela se baseia em poucas evidências além da época do ano em que os festivais eram realizados. A comemoração, a linguagem e o significado do festival de outubro mudavam conforme a região.

 

Em meados do século VIII, o papa Gregório III mudou a data do Dia de Todos os Santos de 13 de maio, a data do festival romano dos mortos, para 1º de novembro, a data do Samhain. Não se tem certeza se Gregório III ou seu sucessor, Gregório IV, tornaram a celebração do Dia de Todos os Santos obrigatória na tentativa de cristianizar a festa pagã.

 

Mas, quaisquer que fossem seus motivos, a nova data para esse dia fez com que a celebração cristã dos santos e a do Samhain fossem unidas. Assim, tradições pagãs e cristãs acabaram se misturando.

Nos EUA o Halloween movimenta mais a economia que a o feriado de Páscoa (Foto:Pixabay)

Quando surgiu o Dia das Bruxas?

 

O Dia das Bruxas que conhecemos hoje tomou forma entre 1500 e 1800. Fogueiras tornaram-se especialmente populares a partir do Halloween. Elas eram usadas na queima do joio, que celebrava o fim da colheita no Samhain, como símbolo do rumo a ser seguido pelas almas cristãs no purgatório ou para repelir a bruxaria e a peste negra.

 

Outro costume de Halloween era o de prever o futuro. Previa-se a data da morte de uma pessoa ou o nome de seu futuro marido ou mulher. No poema Halloween, escrito em 1786, o escocês Robert Burns descreve as formas pelas quais uma pessoa jovem podia descobrir quem seria seu grande amor.

 

Como o festival chegou à América?

 

Em 1845, durante o período conhecido na Irlanda como a Grande Fome, um milhão de pessoas foram forçadas a imigrar para os Estados Unidos, levando junto sua história e tradições.

 

Não é coincidência que as primeiras referências ao Halloween apareceram na América pouco depois disso. Em 1870, por exemplo, uma revista feminina americana publicou uma reportagem em que o descrevia como feriado inglês.

 

A princípio, as tradições do Dia das Bruxas nos Estados Unidos uniam brincadeiras comuns no Reino Unido rural com rituais de colheita americanos. As maçãs usadas para prever o futuro pelos britânicos viraram cidra, servida junto com rosquinhas, os famosos donuts.

 

O milho era uma cultura importante da agricultura americana e acabou entrando com tudo na simbologia característica do Halloween americano. Tanto que, no início do século XX, espantalhos, típicos de colheitas de milho, eram muito usados em decorações do Dia das Bruxas.

 

Foi nos EUA também que a abóbora passou a ser sinônimo de Halloween. No Reino Unido, o legume mais esculpido era o turnip, um tipo de nabo.

 

Uma lenda sobre um ferreiro chamado Jack que conseguiu ser mais esperto do que o diabo e vagava como um morto-vivo deu origem às luminárias feitas com abóboras que se tornaram o principal símbolo do Halloween americano.

Enfeites com abóboras são comuns nos Estados Unidos (Foto: Pixabay)

A tradição moderna de doces ou travessuras também é americana. Há indícios disso em brincadeiras medievais que usavam repolhos, mas pregar peças tornou-se um hábito nessa época do ano entre os americanos a partir dos anos 1920.

 

A tradição mais popular do Halloween, de usar fantasias e pregar sustos, não tem qualquer relação com os doces. Ela veio após a transmissão pelo rádio de uma adaptação do livro Guerra dos Mundos, do escritor inglês H.G. Wells, que gerou uma grande confusão quando foi ao ar, em 30 de outubro de 1938.

 

Ao concluí-la, o ator e diretor americano Orson Wells deixou de lado seu personagem para dizer aos ouvintes que tudo não passava de uma pegadinha de Halloween e comparou seu papel ao ato de se vestir com um lençol para imitar um fantasma e dar um susto nas pessoas. Mas a esta altura, muitos já pensavam que, assim como no livro, a terra estava realmente sendo invadida por marcianos.

 

E quanto ao Halloween moderno?

 

Hoje, o Halloween é o maior feriado não cristão dos Estados Unidos. Em 2010, superou tanto o Dia dos Namorados quanto a Páscoa como a data em que mais se vendem chocolates. Ao longo dos anos, foi exportado para outros países, entre eles o Brasil.

 

Por aqui, desde 2003, também se celebra neste mesma data o Dia do Saci, fruto de um projeto de lei que busca resgatar figuras do folclore brasileiro, em contraposição ao Dia das Bruxas. Em sua era moderna, o Halloween continuou a criar sua própria mitologia. Atualmente, o festival conserva pouco de sua origem, mas, apesar de ter ganhado nova roupagem, dá oportunidade para que adultos brinquem com seus medos e fantasias.

 

Ele permite corromper normas sociais como evitar contato com estranhos ou explorar o lado negro do comportamento humano. Une religião, natureza, morte e romance. Talvez seja esse o motivo de sua grande popularidade.

Com informações da BBC News


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