Militantes católicos ultraconservadores roubam estátua indígena e jogam em rio da capital italiana

Objetos considerados como ídolos pagãos pelos militantes foram descartados no rio Tibre, em Roma

Por Oeste Mais

22/10/2019 10:33 - Atualizado em 22/10/2019 10:34



Objetos foram furtados por militantes (Foto: Vatican News)

Militantes católicos ultraconservadores admitiram ter roubado estátuas que consideram ser ídolos pagãos da Amazônia, em uma igreja próxima ao Vaticano, nesta segunda-feira, dia 21. Eles jogaram três imagens iguais, feitas de madeira, no Rio Tibre, em Roma. O ato de vandalismo ocorre no contexto do Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia.

 

A polícia italiana está tratando do tema como um furto. Em um editorial publicado nesta terça-feira, dia 22, o diretor editorial do Vaticano, Andrea Tornielli, afirma que a destruição das estátuas de madeira é um "episódio triste" e "um gesto intolerante" de "novos iconoclastas". De acordo com Andrea, os objetos iguais simbolizavam a maternidade e a sacralidade da vida.

 

Na abertura do Sínodo, em 7 de outubro, o Papa Francisco afirmou que a sociedade moderna não deve tentar impor suas regras aos povos indígenas, mas sim respeitar sua cultura e permitir que eles planejem seu próprio futuro.

Uma das imagens foi usada durante cerimônia em que o Papa Francisco participou (Foto: Vatican Media)

O pontífice advertiu que “as ideologias são uma arma perigosa”, e defendeu que "a colonização ideológica é muito comum hoje". O líder católico pediu que os impulsos de domesticar os povos originais sejam controlados.

 

As estátuas indígenas estavam expostas com outros artefatos amazônicos na Igreja de Santa Maria in Traspontina, a algumas quadras do Vaticano.

 

As três estátuas idênticas representavam uma mulher indígena grávida e de joelhos. Outra imagem igual foi usada durante uma cerimônia, no Vaticano, em que foram plantadas algumas árvores na presença do Papa Francisco. Grupos ultraconservadores consideraram a cerimônia ofensiva.

 

Eles acusam o Vaticano de deixar uma imagem da Mãe Terra, também conhecida como Pachamama, entrar em território cristão. O Vaticano respondeu que a imagem é apenas um símbolo da vida.

Com informações do G1


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