Homem vê irmão e pais que recusaram vacina morrerem em uma semana em Portugal

Francis Gonçalves está usando a dor de perder três familiares para alertar sobre riscos da desinformação: ‘Isso vai prejudicar nossas famílias’

11/08/2021 10h00 - Atualizado em 11/08/2021 10h03



Francis perdeu Basil, Charmagne e Shaul em apenas uma semana (Foto: Francis Golçaves/BBC)

Morador do País de Gales, no Reino Unido, Francis Gonçalves está usando a dor de perder a mãe, o pai e o irmão como impulso para alertar outras pessoas sobre os riscos de não se vacinar contra a covid-19.

 

Os três moravam em Portugal e decidiram não se vacinar, influenciados por notícias falsas sobre supostos riscos da imunização que não têm comprovação científica. Em julho, eles morreram no espaço de uma semana por complicações da doença, que parecem ter contraído durante um evento em família.

 

"Eles não aproveitaram a oportunidade de se vacinar porque ficaram com medo. Meus pais tinham problemas de saúde crônicos, mas deveriam ter tomado a vacina. Só que havia todo um alvoroço sobre isso."

 

"Sei que muitas pessoas estão optando por não tomar a vacina. Elas não conseguem ver isso a partir de qualquer outra perspectiva — exemplo, por que alguém estaria distribuindo doses se elas fossem prejudiciais?", questiona.

 

"Tenho empatia por essas pessoas, elas estão se perguntando se estão fazendo a coisa certa. Mas isso vai prejudicar nossas famílias, então toda a propaganda [antivacina] tem que parar".

Francis Goncalves (o segundo na foto da esquerda para direita) com os pais e o irmão (Foto: Francis Golçaves/BBC)

Para piorar a dor de Gonçalves, ele não conseguiu viajar para Portugal por causa de restrições de viagem para o país. Enquanto ele ficou retido no Reino Unido, seu pai Basil, 73, sua mãe Charmagne, 65, e seu irmão Shaul, 40, foram hospitalizados e enfrentaram uma piora rápida da saúde.

 

O irmão morreu em 17 de julho, seguido pelo pai três dias depois, até que mãe sucumbiu à covid-19 em 24 de julho.

 

Gonçalves diz que as mensagens de apoio de amigos e familiares estão ajudando a enfrentar este enorme luto.

 

"Acho que não vai ser fácil por muito tempo. Mas as pessoas estão me procurando e oferecendo condolências. Não teve um dia em que alguém deixasse de me contatar. Isso realmente tem ajudado."

Da BBC


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