Dois anos após tragédia, Chapecoense responde a 54 ações na Justiça

Clube também entrou com ações contra governo colombiano e órgãos de controle da aviação no país

30/11/2018 09:18


Enquanto no campo a Chapecoense briga para se manter na elite do Brasileirão, nos bastidores os últimos dias forçaram uma corrida contra o tempo no departamento jurídico do clube. Como o prazo de dois anos em relação ao acidente faria a Chape perder o direito de judicializar determinadas reivindicações, esta semana advogados do time moveram novas ações na Justiça, desta vez na Colômbia.

 

Os processos têm como alvos o governo colombiano e órgãos de controle da aviação no país, além das empresas envolvidas com a apólice de seguro da tragédia. O clube entende que as autoridades da Colômbia devem ser responsabilizadas por permitir um voo marcado por irregularidades, enquanto as empresas ligadas ao seguro são cobradas por terem negociado o valor da apólice em escala abaixo do que praticavam meses antes.

Reunião em novembro do ano passado aproximou representantes jurídicos do clube e familiares das vítimas (Foto: Diorgenes Pandini/Diário Catarinense)

No ano passado, a Chapecoense já havia ajuizado processos na Justiça Federal da própria cidade contra autoridades da Bolívia e da companhia aérea LaMia. Ainda não há previsão sobre quando as ações podem ter desfecho.

 

“Temos uma segurança jurídica boa para buscar valores que possam nos ajudar a indenizar as famílias e para a Chapecoense buscar o ativo que ela perdeu — diz o vice-presidente jurídico do clube”, Cesair Bartolomei.

 

Clube é alvo de ações na Justiça

 

Por outro lado, a Chapecoense também responde a uma série de processos judiciais, principalmente trabalhistas, ajuizados por familiares de atletas e funcionários vítimas da tragédia. Se todas as 54 ações civis e trabalhistas conhecidas resultassem em condenação ao clube, diz Bartolomei, o montante a ser pago chegaria a U$ 100 milhões. Mas, na prática, esse valor é considerado apenas hipotético porque a Chapecoense também pode ganhar parte das causas e garantir acordos de interesse do clube.

 

Segundo o departamento jurídico, oito conciliações já foram firmadas com base em valores e condições de pagamento propostas pela Chapecoense, nenhuma delas com pagamento à vista. A equipe mantém um fundo de contingência para honrar os acertos.


Como o caixa do clube depende do rendimento da equipe em campo, Bartolomei reconhece que o risco de rebaixamento no Brasileirão levou o jurídico a não firmar novos acordos desde agosto. “Os acordos que fizemos é porque temos condições de honrar”, aponta.

 

Fundação deve garantir assistência

 

Enquanto a busca por direitos espera, familiares agora apostam numa parceria com o clube para receber apoio mais efetivo. Trata-se da Fundação Vidas, um projeto em fase final de elaboração que deve estabelecer um fundo assistencial às famílias voltado à saúde, educação, moradia e alimentação.

 

A sede será em Chapecó e terá diretoria composta por membros do clube e representantes das famílias. A Chape espera captar fundos junto à iniciativa privada para garantir repasses mensais aos beneficiados.

Do Diário Catarinense


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