‘Sei que vocês me odeiam’, diz dono da Kiss a famílias das vítimas durante interrogatório

Elissandro Callegaro Spohr (Kiko) foi o primeiro dos quatro réus a ser interrogado

Por Redação Oeste Mais

08/12/2021 22h01



Kiko durante interrogatório nesta quarta-feira (Foto: Juliano Verardi)

Elissandro Callegaro Spohr (Kiko) foi o primeiro dos quatro réus do júri popular do caso Kiss a ser interrogado. Ele prestou depoimento na noite desta quarta-feira, dia 8. Kiko era sócio da boate junto com Mauro Londero Hoffmann, outro réu no processo. Luciano Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos, dois integrantes da Banda Gurizada Fandangueira, que tocava na noite da tragédia, também estão sendo julgados.

 

"Eu sei que vocês me odeiam. Eu não consegui pedir desculpas pra ninguém. Como eu ia chegar em alguém? Gente que eu conhecia me mandava mensagem mandando eu me matar. E aí eu fui preso. Cara, eu aprendi a chorar em silêncio dentro da cadeia”, disse Kiko, dirigindo-se diretamente às famílias das vítimas.

 

No interrogatório, afirmou ainda que a instalação de espuma acústica sobre o palco foi feita após várias reformas, na tentativa de resolver um problema de poluição sonora aos vizinhos. As chamas se originaram nas espumas, após o acendimento de um artefato pirotécnico. Kiko disse não saber que a Banda Gurizada Fandangueira faria o uso do artifício. O incêndio matou 242 pessoas no dia 27 de janeiro de 2013, em Santa Maria (RS).

 

Ainda quando se dirigiu aos familiares das vítimas, o réu disse que ‘não aguenta mais’ toda a situação. "Não tem explicação isso aí, querem me prender, me prendam. Eu tô cansado. Eu perdi um monte de gente, perdi amigo, perdi funcionário. Tu acha que eu ia fazer um negócio desses? Porque eu ia fazer isso? Não é fingimento, eu não aguento mais”.

 

Ao final das perguntas feitas pelo juiz Orlando Faccini Neto, a palavra seria passada para o Ministério Público e advogados dos outros três réus, mas o advogado de Kiko interveio, adiantando que ele não responderia mais questões, o que é uma prerrogativa de quem está sendo julgado.

 

Próximos interrogatórios

 

O júri popular segue nesta quinta-feira, dia 9. Os próximos interrogados são Luciano Bonilha Leão, Mauro Londero Hoffmann e Marcelo de Jesus dos Santos. Antes dos réus, 28 pessoas prestaram depoimento no plenário, entre testemunhas e vítimas.

 

Após o interrogatório dos quatro acusados, começarão os debates, ocasião em que acusação e defesas terão oportunidade de apresentar suas teses e argumentos aos jurados. O tempo total para essa fase do julgamento será de 9 horas, assim distribuídos:

 

• 2 horas e meia para MP e Assistente de Acusação (dividem o tempo)

• 2 horas e meia para as defesas dos réus (dividem o tempo)

• 2 horas de réplica para o MP/Assistente de Acusação (dividem o tempo)

• 2 horas de tréplica (dividem o tempo)

 

Ao fim dos debates, os jurados serão indagados se estão prontos para decidir. Eles passarão a uma sala privada para responder ao questionário. Os jurados decidem individualmente, em voto secreto, respondendo a perguntas formuladas pelo juiz, mediante o depósito de cédula em uma urna. A maioria prevalece. De volta ao plenário, o juiz anunciará o resultado e proferirá a sentença.

 

>> O canal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) no YouTube transmite o júri ao vivo.


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