Integrantes de facção criminosa que torturaram e mataram adolescentes são condenados a mais de 80 anos de prisão

Enquanto eram filmadas, vítimas foram torturadas com pedaço de madeira, cinta e soqueira, e imagens foram divulgadas na internet

Por Redação Oeste Mais

05/08/2021 15h41



Três integrantes de uma facção criminosa denunciados pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) por torturar três adolescentes, matando dois deles, foram julgados e condenados em sessão do Tribunal do Júri da Comarca de Joinville nesta terça-feira, dia 3.

 

As penas de cada réu são de 80 anos de reclusão em regime inicial fechado mais sete meses de detenção.  

 

Os jurados atenderam plenamente à denúncia do Ministério Público e condenaram os réus pelo homicídio triplamente qualificado - por motivo torpe, uso de meio cruel e dissimulação - de dois adolescentes e pela tentativa de homicídio de outro jovem, com os mesmos qualificadores, crime que ocorreu em janeiro de 2019.

 

Outras duas mulheres que ajudaram a apagar os vestígios do crime, foram condenadas a sete meses de detenção pelo crime de fraude processual. Elas não participaram da tortura. 

 

Conforme a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), um dos autores percebeu a movimentação dos três adolescentes no bairro. Os jovens, com idades entre 15 e 16 anos, não eram conhecidos no local. Assim, ele ofereceu uma carona como pretexto para levá-los até a casa de outro homem que é réu em outra ação penal pelo seu envolvimento no caso.  

 

Esse homem pressionou o grupo para descobrir de onde eram e o que estavam fazendo no bairro. Os três afirmaram ser integrantes de uma outra facção criminosa e que eram de Jaraguá do Sul. 

 

Ambos os autores levaram os adolescentes até a casa de um terceiro e de uma das mulheres. Lá os criminosos amarraram os adolescentes e iniciaram uma sessão de tortura, utilizando um pedaço de madeira, cinta e soqueira para efetuar as agressões. Enquanto a mulher filmava a tortura, o homem fazia contato com outros membros da facção para saber se executaria as vítimas. As imagens do crime foram divulgadas nas redes sociais. 

 

Os adolescentes foram colocados em um porta-malas e levados a uma residência até uma região afastada de mata. No local as vítimas foram atacadas com golpes de armas brancas. Duas das vítimas morreram, mas o terceiro adolescente, mesmo machucado, conseguiu fugir e se esconder na mata. 

 

A vítima que sobreviveu conseguiu buscar ajuda. No dia seguinte ao crime, a Polícia Civil foi até a casa onde o crime ocorreu e flagrou os autores tentando apagar os vestígios do crime na casa.  

 

O grupo queimou objetos, trocou a porta de um cômodo e limpou o local. Os réus foram presos em flagrante. Para executar a tortura e destruir as provas, os réus tiveram auxílio de adolescentes infratores.

 

O Promotor de Justiça Ricardo Paladino explica que a motivação foi torpe, pelas vítimas terem se identificado como integrantes de outra facção. O promotor também ressalta a forma cruel e a dissimulação usada para atrair os jovens e cometer o crime.  

 

Um dos autores foi preso depois dos outros cinco acusados e por isso será julgado separadamente, em uma outra sessão do Tribunal do Júri. Todos os envolvidos estão em prisão cautelar e não poderão recorrer em liberdade. 


COMENTÁRIOS

Os comentários neste espaço são de inteira responsabilidade dos leitores e não representam a linha editorial do Oeste Mais. Opiniões impróprias ou ilegais poderão ser excluídas sem aviso prévio.