Justiça confirma condenação de Faculdade que ofereceu curso sem autorização do MEC

Depois de frequentar e pagar as mensalidades de Farmácia, estudantes descobriram que curso deixaria de existir

Por Oeste Mais

27/10/2020 11h01 - Atualizado em 27/10/2020 11h15



A Justiça de Santa Catarina manteve condenação imposta a uma instituição de ensino que ofertou curso de graduação em Farmácia sem autorização do Ministério da Educação (MEC). Depois de frequentar 22 créditos e pagar as mensalidades, os estudantes foram surpreendidos com a notícia: o curso deixaria de existir.

 

Muitos desses estudantes, pegos completamente de surpresa, ingressaram com ação na Justiça com pedido de indenização por danos materiais e morais. O processo em questão refere-se ao caso de uma aluna. O nome da faculdade não foi informado.

 

Segundo o Tribunal de Justiça de Santa Catarina, a instituição, em primeira instância, afirmou que os valores referentes às matriculas foram devolvidos, além de ter havido a transferência dos graduandos para outro estabelecimento educacional, em outra cidade, com a validação das matérias cursadas.

 

"Não houve prejuízo para a aluna", disse o representante da faculdade. Ele argumentou ainda que havia um parecer favorável, para criação do curso, por parte do Conselho Nacional de Educação. Nada disso convenceu o juiz, que condenou a instituição a pagar R$ 8 mil à aluna pelos danos morais. Houve recurso.

 

De acordo com o desembargador Osmar Nunes Júnior, relator da apelação, a discussão jurídica está sob o manto do Código de Defesa do Consumidor, uma vez que as partes envolvidas na lide condizem com os conceitos de consumidor e fornecedor de serviço.

 

Para ele, a instituição não poderia oferecer o curso apenas com base neste parecer, sem esperar a devida homologação do MEC , mas sublinhou o seguinte: "É fato notório, pelos inúmeros casos já julgados e conforme consta nos autos, que a ré ofereceu o curso antes do provimento do recurso administrativo".

 

Ainda segundo o relator, embora seja evidente o abalo moral, a aluna não provou os prejuízos materiais. Com isso, ele rejeitou o pleito por danos materiais e manteve o valor arbitrado pelo juiz de 1º grau - R$ 8 mil - pelos danos morais, porque o valor "atende aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade". 


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