Brasil tem 311 grupos que ajudam autores de violência doméstica a pensar sobre crimes

Mapeamento começa a se tornar realidade por conta de estudo elaborado pelos professores psicólogos Adriano Beiras e Daniel Fauth Martins

Por Oeste Mais

19/10/2020 16h29 - Atualizado em 19/10/2020 16h29



Existem atualmente no Brasil exatos 311 grupos reflexivos que reúnem homens autores de violência doméstica em discussões para entender seus motivos e suas necessidades de reinserção em ambientes familiares sadios. O mapeamento desses grupos começa a se tornar realidade por conta de estudo elaborado pelos professores psicólogos Adriano Beiras e Daniel Fauth Martins.

 

O trabalho dos pesquisadores foi apresentado na manhã desta segunda-feira, dia 19, durante o encontro virtual do Colégio dos Coordenadores de Violência Doméstica dos Tribunais de Justiça (Cocevid), presidido pela desembargadora Salete Sommariva, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).

 

O mapeamento apontou de imediato para a necessidade de uma política nacional integrada. "Descobrimos que a maioria dos grupos não é formalizada e, assim, não possui convênios e projetos para a integração em rede. Isso dificulta a longevidade da iniciativa", revela o professor Adriano. Eles querem saber, além das características de cada grupo, por que alguns têm vida tão efêmera no país. A exceção neste quadro pode ser encontrada em Santa Catarina. O grupo reflexivo de Blumenau, amparado em legislação municipal, se mantém ativo há mais de 10 anos.

 

Porém, afirmam os pesquisadores, é preciso ir mais além. "Cabe a nós refletir sobre as necessidades específicas de cada Estado, aspectos culturais, demanda e que tipo de integração em rede que existe", ponderou Adriano. Os grupos reflexivos têm por objetivo a responsabilização e reflexão dos homens autores de violência doméstica.

 

Para realizar o mapeamento inédito, os pesquisadores elaboraram 47 questões que foram enviadas às 27 unidades da Federação, de agosto a outubro deste ano. Das mais de 7 mil páginas de material coletado, os psicólogos apresentaram um panorama inicial dos grupos e apontaram temas que carecem de uma investigação mais aprofundada. O mapeamento revelou que parte dos grupos está parada pela pandemia da Covid-19. Além disso, somente 50,64% das equipes tiveram a prévia capacitação técnica.

 

O mapeamento identificou que alguns grupos realizam as sessões com mais de 40 homens, no estilo de palestras. A sugestão dos pesquisadores é para que cada turma tenha de 10 a 15 homens, de forma que todos possam ter uma participação efetiva. O número de sessões também chamou a atenção. Turmas com uma ou duas sessões não alcançam o objetivo esperado, segundo os psicólogos, porque a recomendação é uma média de 25 encontros.

 

O professor Daniel Fauth destacou a necessidade de aprofundar a investigação em alguns pontos. "Por que o Judiciário é o órgão público mais ativo na criação dos grupos? Por que o debate sobre a Lei Maria da Penha lidera os temas nos encontros? Quais são os parâmetros para a avaliação dos grupos? Precisamos dessas respostas e da consequente política nacional integrada", informou, sobre a continuidade do mapeamento.

 

Santa Catarina é a terceira unidade da Federação pelo número de grupos reflexivos, com 31 iniciativas, atrás somente do Paraná (50) e do Rio Grande do Sul (45). O Estado também aparece como uma das unidades da Federação com ações pioneiras e já consolidadas por muitos anos.


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