Seminário internacional debate detecção e alertas para tornados

Evento foi motivado pela ocorrência de tornado em Ponte Serrada e Xanxerê

Por Oeste Mais

28/08/2015 11:01 - Atualizado em 25/10/2015 14:01



A Comissão Externa da Câmara dos Deputados destinada a acompanhar a situação de emergência nos municípios de Xanxerê e Ponte Serrada, atingidos por um tornado no dia 20 de abril, promoveu na quinta-feira, dia 28, o Seminário Internacional de Detecção e Alerta de Desastres Severos. O evento reuniu especialistas do Brasil e dos Estados Unidos para a troca de experiências e conhecimento sobre a ocorrência de tornados.

Para o deputado federal Valdir Colatto (PMDB/SC), o encontro foi muito importante por proporcionar esclarecimentos sobre a realidade brasileira no que diz respeito à organização dos centros de meteorologia no país. Dados apresentados pelo pesquisador americano, doutor Harold Edward Brooks, apontam que o Sul do Brasil é a segunda região mais provável para a ocorrência de tornados no mundo.

Conforme o diretor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas do Departamento de Ciências Atmosféricas/USP, doutor Carlos Augusto Morales Rodriguez, o Brasil possui cerca de 40 radares, enquanto os Estados Unidos dispõem de mais de 100. “O nosso principal gargalo está na organização. Nossos radares não são integrados, apenas quatro possuem sistema de alerta e alguns deles só disponibilizam dados para a Defesa Civil”, destacou o pesquisador.

“Ficamos preocupados ao saber que os próprios órgãos do governo, que investem dinheiro público para aquisição e manutenção dos equipamentos, não conversam entre si. Isso dificulta bastante o avanço do país no sentido de prevenir e educar a população para esses eventos climáticos”, pontuou o deputado catarinense.

Vereadores de Xanxerê também estiveram presentes no seminário. O secretário de Defesa Civil do estado de Santa Catarina, Milton Hobus, também participou e destacou os esforços para ampliar a rede de captação de informação, fazer o mapeamento hidrogeológico, o trabalho de treinamento junto às escolas e a disponibilização de informações para a população.

Questionado por Colatto sobre a existência de um plano para prevenção e a criação de um sistema de alertas para eventos severos, o pesquisador da USP, doutor Carlos Rodriguez, informou que em 2004 teve início um programa de integração de radares. “O projeto foi enviado para Brasília em 2008 e até hoje não voltou”, disse.

O deputado demonstrou preocupação com a situação apresentada. “Vimos que vários pontos do país estão sem cobertura de satélite, sem radares meteorológicos. Além disso, nos faltam muitos instrumentos e tecnologia. Esta é uma questão de defesa, de clima e principalmente que envolve a proteção da população. Nós precisamos resolver isso e vamos trabalhar fortemente para que atitudes sejam tomadas”, garantiu.

Solução legislativa

Colatto destaca que vai se empenhar no andamento da PEC 564/2006 que tramita no Congresso Nacional. Trata-se de proposição para modificar os artigos 21 e 22 da Constituição Federal, visando acrescentar os serviços de meteorologia e climatologia às atividades que à União compete explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão.

O objetivo principal é que os dados meteorológicos e climatológicos alcancem a confiabilidade e a eficiência necessárias, evitando-se duplicidade de esforços na esfera pública, impondo-se a necessidade de reordenar o sistema que cuida das informações meteorológicas, inclusive no que diz respeito à pesquisa e desenvolvimento tecnológico.



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