Alunos da UFSC concluem estágio após três semanas em Ponte Serrada

Emoção marcou encerramento da vivência dos estudantes com famílias agricultoras

Por Oeste Mais

02/04/2015 13:14 - Atualizado em 25/10/2015 14:01



O riso veio com as histórias engraçadas. O choro com a percepção de que os momentos vividos já estavam na lembrança. Assim foi a manhã desta quinta-feira, dia 2, data de despedida dos estagiários da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que passaram três semanas vivendo realidades diferentes com famílias agricultoras do município.

Seu Lair Antonio dos Santos tem aos 55 anos uma larga experiência, fruto de uma vida inteira na agricultura. Mas nas últimas três semanas ele ganhou novas histórias para contar e recordações para sentir saudade. “É um membro da família”, diz o agricultor sobre o jovem Dassaievi Zaboenco Gomes Guaraldi, de 19 anos, recebido na casa onde mora, na comunidade Granja Berté, interior de Ponte Serrada.

Na propriedade de seu Lair e da esposa Silda Aparecida dos Santos, de 60 anos, o casal lida com a produção de leite, planta milho e cuida da criação logo cedo. Às 5 horas da manhã ele está em pé, com uma cuia de chimarrão em mãos, preparando-se para iniciar a rotina, que nas últimas três semanas foi acompanhada de perto por Dassaievi.

O aluno do quarto período do curso de zootecnia da UFSC saiu de Florianópolis para conhecer a realidade longe da capital. Em Ponte Serrada ele foi um dos 49 estagiários entre zootecnia e agronomia que estiveram no município, além de outros três em Lindóia do Sul, cumprindo o programa de estágio previsto pela universidade. “Foi uma experiência bastante única poder viver uma realidade diferente da que a gente é criado. Se percebe o contraste das culturas, e ambas têm um valor muito importante. Uma é necessária para outra”, julga.

A experiência do dia a dia, vivendo a prática das atividades que farão parte da rotina da profissão foi um dos ganhos do estudante. “Essa troca, essa relação é muito importante”. Mas para Dassaievi, algo maior vale como conquista. “Com certeza, não só eu, mas muitos estagiários vão voltar, porque a ligação com a família é muito forte. Posso dizer do fundo do meu coração que amo eles. Com certeza vou querer voltar muitas outras vezes, porque eles se tornaram parte da minha família. Vou sentir muita saudade”, assegura o estudante.

“A gente vai achar muita falta dele”, fala com lágrimas nos olhos dona Silda, a esposa de seu Lair, com quem tem um filho de 28 anos. Ou já seriam dois? “Agora ganhamos mais um”, garante a agricultora, que certamente receberá o convite de formatura de Dassaievi para que, junto com o esposo, veja o “novo filho” graduado. “Com certeza vou convidar eles”, adianta o jovem.

Gratidão

Responsável por organizar a logística do estágio, a engenheira agrônoma da Epagri de Ponte Serrada, Leila Angela Tirelli da Motta, também se emocionou ao observar o resultado do trabalho. “A gente conhece o coração das famílias, que realmente abriram as portas e fizeram de tudo por esses estagiários, correndo o município, mostrando coisas que talvez eles nunca fossem ter a oportunidade de conhecer. As famílias superaram em muito a expectativa que eu tinha. Eu já esperava que os estudantes fossem muito bem recebidos, mas o que eu vi foi realmente um tratamento de pai para filho e de mãe para filho”.

O professor da UFSC, Oscar José Rover, coordenou o programa de estágio. “A gente vê que este momento de fechamento é muito emocionante porque os nossos estudantes, que passaram 21 dias nas casas das famílias, tiveram um aprendizado sem igual, tanto no aspecto produtivo, técnico e organizativo, quanto no aspecto humano, de vida, de sabedoria que essas famílias carregam. Isso permite uma troca de cultura que gera aprendizado para todos.

O estágio

O programa foi iniciado no dia 12 de março e aconteceu em Ponte Serrada por meio de uma parceria entre a UFSC, Epagri e administração municipal. A ideia foi proporcionar aos alunos um contato direto com a dinâmica de trabalho nas propriedades da agricultura familiar, vivenciando a realidade do campo e conhecendo a forma como o trabalho acontece em cada localidade.

Com o estágio concluído, os estudantes agora devem elaborar um relatório individual sobre as experiências. Eles também produzirão um material com a assessoria dos professores para ser entregue ao município, relatando a situação encontrada e o que pode ser feito para melhorar o trabalho nas propriedades. Em 2016 será a vez de um agricultor de cada família participante ir até a UFSC e passar dois dias de experiência na universidade.








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