Cerca de seis milhões de litros de leite estão sendo jogados fora, diz Faesc

Presidente da entidade cita prejuízos no agronegócio devido à greve dos motoristas

Por Redação Oeste Mais

02/03/2015 12h17 - Atualizado em 17/04/2020 14h39



Os prejuízos com a paralisação dos motoristas no Oeste de Santa Catarina foram reclamados pelo presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Faesc), José Zeferino Pedrozo. Por meio da assessoria de imprensa, ele reconheceu a legitimidade da greve, mas observou que o movimento vem ?causando transtornos insuportáveis à agricultura e ao agronegócio?.

José lamentou as consequências ?dramáticas? vividas pelo campo. ?Cerca de seis milhões de litros de leite estão sendo jogados fora todos os dias porque não é permitido o transporte até os laticínios. Falta ração para um plantel permanente de quase 100 milhões de aves e 5,5 milhões de suínos. Esses animais já entraram em estresse alimentar e nas próximas horas começam a ser contabilizadas perdas que podem somar milhões de aves e gerar uma situação sanitária de alto risco, propício ao surgimento de epizootias?, completou.

Leia na íntegra a manifestação do presidente da Faesc:

As motivações para a greve dos caminhoneiros são legítimas. O aumento do diesel, o preço dos pedágios, as péssimas condições das rodovias, a tributação do setor e outros fatores encareceram a operação dos transportadores, ao mesmo tempo em que o mercado, em razão de sua própria dinâmica de oferta e demanda, baixou a remuneração pelo serviço. O setor entrou em crise e, provavelmente, não restou outro caminho senão a greve.

O problema é que o movimento dos transportadores está causando transtornos insuportáveis a um segmento essencial da economia brasileira ? a agricultura e o agronegócio ? no grande oeste catarinense, região reconhecida mundialmente pela excelência da produção de alimentos. O fluxo de matérias-primas das áreas rurais para as indústrias foi interrompido ? e leite, grãos, frutas, hortigranjeiros, aves, bovinos e suínos deixaram de chegar às agroindústrias. No contrafluxo, rações, pintinhos, leitões e outros insumos deixaram de chegar aos estabelecimentos agrícolas.

As conseqüências foram catastróficas. As indústrias paralisaram a produção por falta de matéria-prima e de local para estocagem dos produtos processados. Os depósitos e os pátios ficaram repletos de mercadorias que não puderam sair em direção aos centros de consumo em razão do bloqueio das estradas.

No campo, a situação é ainda mais dramática, pois o oeste barriga-verde responde, em média, por 75% da produção agropecuária do Estado. Cerca de 6 milhões de litros de leite estão sendo jogados fora todos os dias porque não é permitido o transporte até os laticínios. Falta ração para um plantel permanente de quase 100 milhões de aves e 5,5 milhões de suínos. Esses animais já entraram em estresse alimentar e nas próximas horas começam a ser contabilizadas perdas que podem somar milhões de aves e gerar uma situação sanitária de alto risco, propício ao surgimento de epizootias.

O privilegiado status sanitário e a avançada cadeia do agronegócio que Santa Catarina construiu nos últimos 30 anos representam uma conquista de toda a sociedade, que sustenta milhares de empregos e gera bilhões em riquezas, beneficiando famílias urbanas e rurais.



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