Mercados vivem drama da escassez de mercadorias em Ponte Serrada

Estabelecimentos de outros setores também sofrem consequências, inclusive com encomendas dos Correios atrasando

Por Redação Oeste Mais

26/02/2015 07h15 - Atualizado em 17/04/2020 14h39



A paralisação dos motoristas em diversas regiões do Brasil, incluindo Santa Catarina e o Oeste do estado, onde foram montados muitos pontos de bloqueio, vem gerando prejuízos à economia. Os estabelecimentos comerciais de Ponte Serrada sentem a falta de produtos já há alguns dias, com o drama aumentando após mais de uma semana de greve.

Um dos principais problemas é a escassez de alimentos. Os supermercados sentem a falta de entrega dos produtos. As prateleiras parcialmente vazias em diversos estabelecimentos ilustram a preocupação. ?Estamos apenas com as poucas caixas de leite que estão na prateleira. Não recebemos quase nada de nenhum tipo de mercadoria?, afirma Dirceu Giordani, sócio de um supermercado na cidade.

Apesar das dificuldades, ele diz que o estabelecimento está até prestando apoio aos motoristas parados em Ponte Serrada. ?Estamos auxiliando os caminhoneiros com alguns mantimentos. Achamos necessária a paralisação para que o governo tome alguma medida, para que a gente não precise repassar os aumentos aos consumidores, porque dessa forma quem acaba sofrendo mais é toda a população?, completa.

Alguns mercados ainda possuem estoque razoável pelo fato de caminhões que entregam as mercadorias terem conseguido passar por bloqueios e distribuir os produtos. ?Somos a favor da paralisação, inclusive a do comércio, como está acontecendo em algumas cidades vizinhas?, comenta Gilberto Dalla Vecchia, outro empresário do município. ?Só não concordo com o desperdício, como feito pelos produtores quando jogaram o leite fora. Poderiam ter doado, dado outro destino a ele?, emenda.

O supermercadista Ariovaldo Poletto também se diz favorável à paralisação. Para ele, o movimento é justo e a classe de caminhoneiros está bastante sofrida. ?A gente vê o pessoal que está passando dificuldades, então não tem como não apoiar. Por outro lado, a gente fica um pouco sentido porque tem muita gente que está tendo prejuízos, principalmente o pessoal lá da agricultura?. Com o estoque também reduzido, Ariovaldo reforça o apoio à greve e afirma que o comércio também deve abraçar o movimento. ?A carga tributária do país é grande e está sobrecaindo a todo brasileiro?, lamenta.

Outros reflexos

Além dos supermercados, outros setores sentem a escassez de produtos, especialmente os postos de combustíveis. Três dos quatro estabelecimentos em Ponte Serrada já não tinham mais gasolina ainda na manhã de terça-feira, dia 24. O Posto Ligeirinho ainda possuía uma pequena reserva até esta quarta.

Viaturas de polícia e bombeiros estão economizando combustível até onde podem, com os bombeiros inclusive priorizando apenas o atendimento às ocorrências mais graves. Nesta semana até a agência dos Correios do município está atrasando correspondências pela bagunça gerada no sistema de logística devido aos bloqueios nas estradas.

Fim dos bloqueios?

Os sindicatos e associações que representam os caminhoneiros informaram na noite desta quarta-feira, dia 25, ter aceitado os termos do acordo proposto pelo governo para colocar fim aos protestos. No entanto, o acordo não contou com o apoio de Ivar Luiz Schmidt, que se diz representante do Comando Nacional do Transporte, movimento que, segundo ele, é responsável por cerca de 100 pontos de bloqueio nas estradas.

Em reportagem publicada pelo G1 já na madrugada de quinta-feira, dia 26, Ivar, que chegou a ser impedido de participar das negociações que aconteceram durante toda a quarta na sede do Ministério dos Transportes em Brasília, afirmou por telefone que ?continua tudo bloqueado?. Segundo ele, os pontos de bloqueio, que até o momento restringiam apenas a passagem de caminhões transportando produtos não perecíveis, podem passar a barrar inclusive carro de passeio a partir desta quinta. ?(A manutenção dos bloqueios) é para o governo saber quem é a liderança que devem procurar?, disse.

Acordo?

O ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues, havia informado no final da noite desta quarta que os representantes dos caminhoneiros aceitaram o acordo proposto pelo governo. Já ao deixar o Ministério dos Transportes, pouco antes da meia-noite, disse que o texto do acordo assinado é o mesmo do proposto mais cedo pelo governo, e que prevê a sanção sem vetos da Lei dos Caminheiros além de um compromisso da Petrobras em não reajustar o diesel nos próximos seis meses.

Medidas judiciais

Antes da reunião em Brasília, o governo conseguiu na Justiça a liberação das rodovias federais em 11 estados. Porém, até as 20h desta quarta, os caminhoneiros mantinham bloqueios em seis deles, incluindo Santa Catarina. Os juízes fixaram multas que variam de R$ 1 mil a R$ 50 mil para cada hora que os manifestantes se recusarem a liberar as pistas.

Como as decisões se referem apenas às rodovias federais, em alguns estados, principalmente no Sul, os caminhoneiros têm mantido fechados trechos de estradas estaduais. A categoria protesta contra o aumento do preço do litro do óleo diesel e o valor pago pelos fretes, considerado baixo. O governo já havia adiantado que não vai voltar atrás no reajuste do combustível.

Negociação

Para chegar a um acordo com a categoria, o governo se comprometeu a sancionar sem vetos a Lei dos Caminhoneiros, aprovada pela Câmara no dia 11, e a não reajustar o preço do diesel nos próximos seis meses. O anúncio foi feito pelo secretário-geral da Presidência, ministro Miguel Rossetto, após reunião com os representantes dos caminhoneiros na tarde desta quarta em Brasília. O ministro disse ainda que empresários e motoristas elaborarão uma tabela para definir os preços do frete.

Em contrapartida, o governo exigiu a liberação imediata de todas as estradas com bloqueio no país. Em uma semana de mobilização nacional, já foram registradas paralisações de caminhoneiros em 14 estados.









COMENTÁRIOS

Os comentários neste espaço são de inteira responsabilidade dos leitores e não representam a linha editorial do Oeste Mais. Opiniões impróprias ou ilegais poderão ser excluídas sem aviso prévio.